19/03/2026 - 12:26
O Zoológico de Ichikawa, localizado nos arredores de Tóquio, registra um aumento expressivo no fluxo de visitantes devido à popularidade de Punch, um filhote de macaco japonês de sete meses. O animal tornou-se um fenômeno digital após o compartilhamento de imagens que mostravam sua dificuldade de integração ao grupo e o apego a um urso de pelúcia, utilizado como substituto materno.
Segundo a administração da instituição, o volume diário de público tem variado entre 2.000 e 3.000 pessoas, número dez vezes superior à média registrada no período de inverno. O perfil dos visitantes inclui uma parcela significativa de turistas estrangeiros, atraídos pela campanha “Aguenta Firme, Punch”, que se disseminou por meio de redes sociais.
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Desafios de integração
Punch foi rejeitado pela progenitora logo após o nascimento. Para suprir a carência afetiva e oferecer suporte emocional, os cuidadores forneceram ao primata um brinquedo de pelúcia de um orangotango. Imagens do filhote agarrado ao objeto, por vezes em situações de conflito com outros membros da espécie, geraram debates sobre o bem-estar animal.
A organização Peta (People for the Ethical Treatment of Animals) manifestou críticas ao zoológico, questionando a exposição do animal. Em contrapartida, Takashi Yasunaga, um dos administradores de Ichikawa, esclareceu que o comportamento observado faz parte da estrutura social rígida dos macacos japoneses.
De acordo com Yasunaga, a disciplina exercida pelos indivíduos dominantes sobre os mais jovens é um processo natural de aprendizado das regras de convivência da espécie. “Monitoramos de perto como Punch se integra ao grupo e aprende as regras da sociedade dos macacos”, afirmou à agência AFP.
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Perspectivas de adaptação
Relatórios recentes da equipe técnica indicam que a dependência do filhote em relação ao brinquedo de pelúcia está diminuindo de forma gradual. Embora o animal ainda retorne ao objeto em momentos de insegurança, ele já demonstra iniciativa para interagir com outros primatas do recinto.
Para o turista norte-americano Jon Frigillana, que visitou o local, a trajetória do animal gera identificação no público. “Ele passou por muitas dificuldades, mas ver como supera as adversidades é realmente comovente”, pontuou. A expectativa do corpo técnico é que, com o amadurecimento, Punch abandone definitivamente o artefato e se torne um membro pleno da comunidade.
