Presidente francês atribuiu sua oposição a “uma rejeição política unânime” em seu país. Decisão se soma à oposição de Irlanda, Polônia e Hungria, mas não deve impedir aval da maioria dos Estados-membros da UE.O presidente da França, Emmanuel Macron , anunciou nesta quinta-feira (08/01) que seu país votará contra na sexta-feira, em Bruxelas, contra o acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul .

Em comunicado, Macron advertiu que a provável assinatura do pacto pela UE “não é o fim da história” e justificou sua oposição ao que seria a maior área de livre-comércio do mundo por “uma rejeição política unânime” na França.

Para evitar a ratificação deste acordo, Paris precisaria de uma minoria de bloqueio na UE que, atualmente, parece estar fora de seu alcance.

Protestos de agricultores

Em meio aos protestos do setor agrícola francês, que chegaram a Paris nesta quinta-feira , Macron enalteceu os “indubitáveis progressos” da Comissão Europeia em relação às exigências da França sobre certos aspectos do acordo.

No entanto, o presidente citou como exemplo da ampla oposição ao pacto “os recentes debates realizados na Assembleia Nacional e no Senado” da França.

O chefe de Estado garantiu que “continuará lutando” para que a Comissão Europeia “ponha em prática” as medidas que prometeu “para proteger” os agricultores franceses.

Decisão não deve impedir aval

Macron referiu-se assim às chamadas “cláusulas espelho”, que, por exemplo, certificariam que a carne do Brasil ou da Argentina cumpriria as normas sanitárias e ambientais da UE; e às salvaguardas, um mecanismo de freio caso as importações em massa – neste caso, provenientes do Mercosul – fizessem cair os preços na França.

A decisão da França se soma à oposição de Irlanda, Polônia e Hungria, mas não deve impedir a Comissão Europeia de obter o aval da maioria dos Estados-membros na votação por maioria qualificada, a ser realizada nesta sexta-feira, em Bruxelas.

Para bloquear o acordo, a França precisaria de pelo menos quatro países do Conselho Europeu que representassem mais de 35% da população do bloco, algo que, neste momento, parece complicado de conseguir devido à esperada mudança de posição da Itália.

Outra possibilidade é que os eurodeputados não ratifiquem o acordo ou se pronunciem a favor de uma análise do pacto pelo Tribunal de Justiça da União Europeia.

md (EFE, AFP)