12/02/2026 - 18:09
Um estudo publicado na revista Nature Astronomy e liderado por Mitsunori Araki, cientista do Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, na Alemanha, descreve a maior molécula orgânica portadora de enxofre identificada no espaço. Os pesquisadores consideram a descoberta um “elo perdido” na compreensão das origens cósmicas da vida.
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O enxofre está entre os elementos mais abundantes do universo e desempenha papel essencial na biologia terrestre, integrando a estrutura de aminoácidos, proteínas e enzimas. Ainda assim, moléculas grandes que contêm esse elemento eram consideradas raras no espaço.
Até então, a maior já identificada possuía nove átomos (a maioria tinha entre três e cinco), o que torna relevante a detecção recente de uma molécula com 13 átomos, formada por enxofre, carbono e hidrogênio. Pesquisadores apontam que parte do enxofre pode estar aprisionada em gelo cósmico, o que dificulta sua identificação por telescópios e ajuda a explicar a escassez de registros.
A molécula foi identificada na nuvem molecular G+0,693–0,027, uma região rica em gás e poeira situada a cerca de 27 mil anos-luz da Terra, próxima ao núcleo da Via Láctea.
Como a molécula foi descoberta
A descoberta foi confirmada por meio da combinação entre experimentos laboratoriais e observações astronômicas. Inicialmente, a equipe sintetizou a molécula em laboratório a partir de uma descarga elétrica, procedimento que permitiu obter a chamada “impressão digital de rádio” do composto e estabelecer um padrão de referência.
Em seguida, os cientistas compararam esses dados com registros captados pelos radiotelescópios IRAM-30m e Yebes, ambos localizados na Espanha, e confirmaram a presença da molécula na nuvem interestelar analisada.
Contribuição para a ciência
O achado preenche uma lacuna considerada crucial ao funcionar como um “elo perdido” entre moléculas simples presentes no espaço e compostos mais complexos identificados em meteoritos e cometas, reforçando a hipótese de que blocos fundamentais da vida, como aminoácidos e proteínas que dependem de enxofre, podem ter se formado no meio interestelar antes de chegarem à Terra.
Além disso, o estudo rompe com a ideia de que grandes moléculas não resistiriam às condições extremas do espaço, evidenciando uma química interestelar mais rica e resiliente do que se supunha. A identificação da substância em uma nuvem molecular, região associada à formação de estrelas e planetas, também sugere que ingredientes essenciais à vida podem estar amplamente distribuídos pela galáxia, potencialmente disponíveis para novos sistemas planetários.
