Alemanha encerrou operação de todas as usinas nucleares em 2023. Agora, 55% dos alemães se mostram favoráveis a uma reversão da política. Futuro governo Merz também é favorável à reativação, mas avalia viabilidade.Uma pesquisa divulgada nesta sexta-feira (04/04) pela empresa de marketing Innofact revelou que 55% dos alemães são a favor do retorno à energia nuclear no país.

As últimas usinas nucleares em operação na Alemanha foram desligadas em abril de 2023, encerrando um ciclo de mais de seis décadas desde a inauguração do primeiro reator no país. O fim da era nuclear foi encarado como um marco do governo do chanceler federal alemão Olaf Scholz e o coroamento de décadas de ativismo ambiental contra essa forma de produção de energia.

No entanto, desde então, a retomada nuclear tem sido pauta de embates políticos, acentuados pelo aumento dos custos de energia no país. É também um dos principais pontos de atrito nas atuais negociações entre o bloco conservador CDU/CSU, de Friedrich Merz, e os social-democratas (SPD), de Scholz, para formação do novo governo federal.

Merz, provável futuro chanceler alemão, é defensor da matriz atômica – um movimento também encampado pela França e Japão, que vêm investindo em aumentar seu parque de reatores.

Opinião pública dividida

Além dos 55% favoráveis, 36% dos entrevistados disseram ser contra o retorno à energia nuclear e 9% estavam indecisos.

Mais de seis em cada dez homens defendem a retomada nuclear na Alemanha, enquanto o apoio entre as mulheres permanece abaixo da metade.

O estudo também indica diferenças geográficas. A proposta tem maior aceitação no sul e no leste da Alemanha, em comparação com o norte e o oeste.

Ao todo, 22% dos entrevistados afirmaram que a retomada deve ocorrer por meio da reabertura dos reatores desativados, enquanto 32% defendem a construção de novas usinas.

A pesquisa ainda indica que 57% dos entrevistados são a favor do investimento contínuo em outras formas de energia renovável, 17% são contra e o restante se diz indeciso.

O levantamento ouviu 1.007 alemães entre 18 e 79 anos em março de 2025. A pesquisa foi publicada no site da Verivox, que oferece informações ao consumidor sobre preços de energia, telefonia e seguros.

O que o novo governo deve fazer?

A CDU/CSU diz que está analisando “se um retorno ao serviço dos reatores nucleares desativados seria técnica e financeiramente viável, considerando seu estado individual atual”.

Já o SPD é historicamente contra a retomada da operação, movimento seguido pelos Verdes. As duas legendas foram responsáveis por iniciar, em 1998, o processo de eliminação gradual da produção nuclear na Alemanha, durante o governo de coalizão liderado por Gerhard Schröder.

A ex-chanceler Angela Merkel chegou a estender significativamente a vida útil das usinas no país. No entanto, o desastre nuclear de Fukushima, no Japão, em 2011, levou seu governo a reverter a decisão e acelerar o processo de desligamento definitivo desse tipo de geração de energia na Alemanha.

Em 2023, o governo Scholz encerrou definitivamente a produção nuclear, mantendo o país alinhado a décadas de pressão ambientalista contra a expansão da energia nuclear.

Embora não emita dióxido de carbono durante a produção, a energia nuclear é alvo de críticas por seus impactos indiretos — como as emissões associadas à extração do urânio, o acúmulo de resíduos radioativos de longa duração e os riscos de contaminação da água ou de acidentes graves.

gq (DW)