Instituto Nobel da Paz esclareceu que o prêmio não pode ser transferido. Venezuelana agredeceu presidente dos EUA pelas ações em favor da “liberdade” do paísA líder da oposição venezuelana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, presenteou nesta quinta-feira (15/01) o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com a medalha do Nobel durante um almoço reservado entre os dois na Casa Branca.

Segundo ela, o gesto foi simbólico e representou um agradecimento do povo venezuelano pelas ações do republicano em favor da “liberdade” no país. Em 3 de janeiro, membros das forças especiais de segurança americanas invadiram a Venezuela e capturaram o então presidente Nicolás Maduro, que está detido nos Estados Unidos desde então.

“Presenteei o presidente dos Estados Unidos com a medalha, a medalha do Prêmio Nobel da Paz”, afirmou Machado a jornalistas após deixar a Casa Branca e seguir para o Capitólio. “Fiz isso como um reconhecimento pelo compromisso único dele com a nossa liberdade”, acrescentou ela.

Trump confirmou mais tarde, em uma publicação nas redes sociais, que Machado deixou a medalha sob seus cuidados. O presidente disse que foi uma honra recebê-la e elogiou a líder venezuelana.

“Ela é uma mulher maravilhosa que passou por tanta coisa. María me presenteou com sua medalha do Prêmio Nobel da Paz pelo trabalho que fiz”, escreveu Trump. “Foi um gesto maravilhoso de respeito mútuo. Obrigado, María.”

A Casa Branca divulgou uma foto do encontro no Salão Oval. Na imagem, Trump aparece segurando a medalha emoldurada, ao lado de Machado. No quadro, há uma mensagem dedicada ao presidente americano: “presenteado como um símbolo pessoal de gratidão em nome do povo venezuelano, em reconhecimento à ação firme e íntegra do presidente Trump para garantir uma Venezuela livre”.

O Instituto Nobel da Paz esclareceu que o prêmio não pode ser transferido. Em comunicado nas redes sociais, a entidade afirmou que “um Prêmio Nobel não pode ser revogado, compartilhado ou transferido a outra pessoa”, acrescentando que, embora a medalha física possa mudar de dono, o título de laureado permanece inalterado.

A medalha do Nobel, que tem sete centímetros de diâmetro e é feita de ouro, leva um retrato de Alfred Nobel. O design da insígnia é o mesmo há mais de 120 anos.

“Delcy é pior que Maduro”

O encontro ocorreu em meio a posições ambíguas de Trump em relação à mudança de poder na Venezuela. Embora tenha elogiado Machado publicamente, o presidente já declarou que ela não teria apoio suficiente para liderar o país após a retirada de Nicolás Maduro do poder. Ao mesmo tempo, Trump tem sinalizado disposição para dialogar com a presidente interina, Delcy Rodríguez, ex-vice-presidente de Maduro.

Após a reunião, Machado foi recebida por apoiadores que a aguardavam do lado de fora da Casa Branca. “Podemos contar com o presidente Trump”, disse ela, cumprimentando o grupo. Os apoiadores aplaudiram a venezuelana e agradeceram Trump em coro.

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, classificou Machado como “uma voz corajosa e notável”, mas afirmou que o encontro não alterou a avaliação política de Trump sobre a líder oposicionista. Segundo ela, o presidente apoia a realização de novas eleições na Venezuela “quando chegar o momento certo”, sem indicar um cronograma.

Machado também se reuniu a portas fechadas com senadores republicanos e democratas no Capitólio. Após o encontro, o senador democrata Chris Murphy afirmou que a venezuelana alertou para os riscos da falta de avanços políticos nos próximos meses.

“Ela nos disse que, se não houver progresso real rumo a uma transição de poder ou a eleições nos próximos meses, todos devemos ficar preocupados”, declarou Murphy. “Ela também destacou que Delcy Rodríguez é, em muitos aspectos, pior do que Maduro.”

Questionado se Machado havia recebido alguma garantia concreta do governo americano sobre eleições, o senador foi direto: “Acredito que ela não obteve nenhum compromisso.”

Antes da visita a Washington, Machado não aparecia em público desde uma viagem à Noruega no mês passado, onde a filha da venezuelana recebeu o Prêmio Nobel da Paz em seu nome. A líder oposicionista passou cerca de 11 meses vivendo escondida na Venezuela antes de deixar o país.

Engenheira industrial e filha de um empresário do setor siderúrgico, Machado iniciou sua trajetória política em 2004, ao cofundar a ONG Súmate, que promoveu um referendo para revogar o mandato do então presidente Hugo Chávez. Desde então, tornou-se uma das principais figuras da oposição venezuelana.

Em 2024, ela liderou a campanha contra a reeleição de Nicolás Maduro, mesmo que tenha sido impedida pelo regime chavista de se candidatar à Presidência.

A oposição afirma ter vencido o pleito, mas autoridades eleitorais ligadas ao regime declararam Maduro vencedor, decisão rejeitada por diversos países e seguida por uma repressão violenta a protestos.

fcl/md (AP, AFP, EFE)