04/03/2026 - 14:28
Um estudo publicado na revista npj Space Exploration, em 7 de janeiro, aponta para a possibilidade de Marte ter sido similar a Terra. Produzido pelo pesquisador Ignatius Argadestya, da Universidade de Berna, Suiça, o levantamento científico recente amplia de forma significativa o entendimento sobre a história hídrica do planeta vermelho ao indicar que ele pode ter sustentado grandes volumes de água na superfície.
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As conclusões se baseiam na análise meticulosa de estruturas geológicas preservadas no Valles Marineris, o maior conjunto de cânions de Marte. Segundo os autores, as formações identificadas na região representam o registro mais elevado de nível de água já documentado no planeta vermelho.
Como estudo foi feito e o que ele demonstra
A análise de imagens de alta nitidez das agências espaciais dos Estados Unidos (Nasa) e da Europa (ESA) revelou redes complexas de canais em Marte. As estruturas ligam terrenos elevados a áreas de depósitos sedimentares, com morfologia idêntica a deltas terrestres. Para os pesquisadores, o conjunto de evidências comprova que houve escoamento contínuo de água, descartando fluxos passageiros.
A regularidade das formações, situadas entre 3.650 e 3.750 metros abaixo do nível médio marciano, indica a presença de uma linha costeira antiga. Estruturas semelhantes foram identificadas em regiões adjacentes, conectando o desfiladeiro de Valles Marineris às planícies do norte. Essa continuidade espacial fortalece a tese de um sistema hidrológico amplo e interconectado no passado de Marte, possivelmente formando um oceano.
Formação dos corpos hídricos
A estimativa dos pesquisadores é de que a formação desses corpos d’água ocorreu há cerca de 3,3 bilhões de anos, período de maior volume hídrico na superfície de Marte. Após essa fase, o planeta enfrentou um processo gradual de perda de líquidos, resfriamento climático e avanço da aridez. O fenômeno resultou no desaparecimento de rios e mares, consolidando o cenário seco e gélido que define o solo marciano atualmente.
A descoberta redefine a escala da presença de água no planeta vermelho e direciona futuras missões na busca por vida extraterrestre. Especialistas afirmam que desembocaduras de rios em grandes corpos d’água são ambientes propícios para a preservação de sinais de vida passada, especialmente microrganismos. O estudo reforça a importância de explorar áreas de deposição sedimentar para entender a evolução biológica de Marte.
