22/01/2026 - 7:02
Alemanha já “trilhou esse caminho até seu amargo fim e arrastou o mundo para o abismo” da Segunda Guerra, diz chanceler federal alemão em Davos. Ele também elogiou recuo de Trump da ameaça de tomar a Groenlândia à força.O chanceler federal alemão, Friedrich Merz, afirmou nesta quinta-feira (22/01) que “um mundo onde só a força importa é um lugar perigoso”, num momento em que a Rússia invadiu a Ucrânia, a China está em ascensão e os Estados Unidos estão “remodelando radicalmente sua política externa e de segurança”.
“Um mundo onde só a força importa é um lugar perigoso. Primeiro para os pequenos Estados e para as potências médias; por fim, para as grandes potências. No século 20, o meu país, a Alemanha, trilhou esse caminho até seu amargo fim – e arrastou o mundo para um abismo negro”, disse Merz em discurso no Fórum Econômico Mundial em Davos.
“Entramos numa era de política de grandes potências”, disse Merz. “Este novo mundo de grandes potências está sendo construído sobre o poder, sobre a força e, quando necessário, sobre a coerção. Não é um lugar confortável”, afirmou.
“A posição de liderança global dos Estados Unidos está sendo desafiada, e Washington reage remodelando radicalmente sua política externa e de segurança”, disse.
Mas o mundo não está “à mercê” dessa nova ordem, afirmou Merz. “Temos uma escolha. Podemos moldar o futuro. Para termos sucesso, precisamos encarar a dura realidade e traçar nosso caminho com realismo lúcido.”
Defesa da parceria transatlântica
Aos parceiros europeus da Alemanha, Merz pediu que se adaptem rapidamente ao fato de que a velha ordem mundial está “se desfazendo num ritmo impressionante”.
A invasão da Ucrânia pela Rússia marcou o início de “uma nova era, mas a mudança é muito mais profunda”, disse o chanceler alemão aos líderes mundiais reunidos em Davos. “A China, com visão estratégica, conquistou seu lugar entre as grandes potências”, acrescentou.
Merz instou os europeus a não descartarem a parceria transatlântica tão rapidamente. “Apesar de toda a frustração e raiva dos últimos meses, não devemos descartar a parceria transatlântica tão rapidamente”, acrescentou.
“Nós, europeus, nós, alemães, sabemos como a confiança que fundamenta a Otan é preciosa”, disse Merz. “Numa era de grandes potências, os Estados Unidos também dependerão dessa confiança. É a vantagem competitiva decisiva deles – e a nossa.”
Recuo de Trump é “o caminho certo”
Merz saudou a decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, de recuar das ameaças de tomar a Groenlândia à força da aliada Dinamarca e a chamou de “o caminho certo”.
“Qualquer ameaça de adquirir território europeu pela força seria inaceitável”, disse Merz. “Novas tarifas minariam os fundamentos da relação transatlântica.”
Ele também saudou o fato de os Estados Unidos estarem “levando a sério a ameaça representada pela Rússia no Ártico” e prometeu que os aliados da Otan “protegeriam conjuntamente a Dinamarca, a Groenlândia e o norte da ameaça representada pela Rússia”.
as/md (Reuters, AFP, DPA)
