24/02/2026 - 14:45
Onda de violência desencadeada como retaliação pela morte de chefe de cartel deixa atmosfera de medo entre moradores do estado de Jalisco, com estabelecimentos fechados e longas filas.Na esteira da onda de violência desencadeada pela morte no domingo (22/02) do narcotraficante El Mencho, o estado de Jalisco, no México, busca retomar a rotina. Com cautela, os moradores começavam no dia seguinte a sair de casa para comprar comida, encher tanques de gasolina e abastecer suas casas de itens indispensáveis.
As ruas tinham ficado quase completamente vazias nas horas anteriores, em vista da reação violenta de grupos criminosos à operação militar contra o líder do temido Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG). Nemesio Oseguera, verdadeiro nome de El Mencho, foi ferido na sangrenta ação e morreu durante o traslado aéreo para um hospital.
O cartel bloqueou estradas, incendiou veículos, atacou estabelecimentos e enfrentou as autoridades em 20 dos 32 estados do país. As ações coordenadas eram uma expressão de vingança pela morte do seu chefe, que estava na mira dos Estados Unidos.
Em Guadalajara, capital de Jalisco e uma das três maiores cidades mexicanas, as escolas permaneceram fechadas na segunda-feira, assim como em uma dezena de estados. O transporte público foi reativado parcialmente, com ônibus levando ainda poucos passageiros.
Longas filas por comida
Nos poucos estabelecimentos abertos, formaram-se longas filas, enquanto as pessoas faziam compras maiores do que o habitual, para o caso de se manterem dentro de casa por tempo prolongado.
“As pessoas estão com medo,” disse Juan Soler, aposentado de Guadalajara, descrevendo o fechamento de farmácias e da maioria dos estabelecimentos comerciais.
Num supermercado aberto, as filas eram longas e os carrinhos de compras, insuficientes para a multidão de clientes. Muitos levavam suas compras em caixas de papelão ou compravam cestos de roupa para carregar produtos.
“Ficamos trancados, em pânico, e não queríamos sair. Não consegui dormir,” relatou María de Jesús González, enquanto aguardava a sua vez. “Agora estou um pouco mais tranquila, mas ainda com um pouco de medo.”
Também milhares de passageiros lotaram o Aeroporto Internacional de Guadalajara, o que atrasou todos os voos de saída.
Dez mil militares nas ruas
As autoridades mobilizaram cerca de 10 mil militares para proteger a população. Nas ruas de Guadalajara, continuava por várias horas a retirada de veículos reduzidos a estruturas metálicas retorcidas e chamuscadas.
No caminho que leva à localidade de Tapalpa, onde o chefe do cartel foi localizado pelos militares, os bloqueios feitos por homens armados do cartel continuavam na segunda-feira.
Com 12.575 desaparecidos, segundo cifras oficiais, Jalisco é um dos estados mais afetados pela violência no México. Mais da metade dos casos correspondem a Guadalajara e sua área metropolitana, a segunda maior cidade do país e uma das três sedes mexicanas da próxima Copa do Mundo.
“Creio que não há nada a comemorar, me parece muito grotesco” que essa festa futebolística seja realizada, diz à AFP Carmen Ponce, de 26 anos, que busca seu irmão Víctor Hugo, desaparecido em 2020.
A presidente do México, Claudia Sheinbaum, disse nesta terça-feira que não há riscos para o torneio. A FIFA não quis comentar.
ht (AFP, EFE)