Na quarta-feira, dia 25, o astronauta americano Mike Fincke, de 58 anos, confirmou ser ele o pivô da primeira evacuação médica da história da ISS (Estação Espacial Internacional), com o retorno da missão Crew-11. 

O veterano, que estava em órbita desde agosto de 2025, deveria permanecer no laboratório espacial até o fim de fevereiro. No entanto, um “evento médico” preocupante em janeiro forçou a Nasa a antecipar o retorno de toda a tripulação para garantir que o astronauta tivesse acesso a exames que não poderiam ser realizados na estação.

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A cápsula aterrissou com Mike e seus colegas de tripulação – a astronauta da Nasa Zena Cardman, Kimiya Yui da Agência de Exploração Aeroespacial do Japão e o cosmonauta Oleg Platonov da agência espacial russa Roscosmos – na costa de San Diego, na Califórnia, em 15 de janeiro. 

Na ocasião, a agência espacial não divulgou qual astronauta apresentava o problema médico nem revelou a natureza da questão de saúde, embora o administrador da Nasa, Jared Isaacman, tenha classificado o episódio como “grave”, mas controlado.

O comunicado

Em sua primeira manifestação pública, Mike não forneceu detalhes sobre seu estado de saúde, mas afirmou que passa bem e segue em recondicionamento físico no Centro Espacial Johnson, em Houston. 

“Sofri um problema médico que exigiu atenção imediata dos meus incríveis colegas de tripulação. Graças à rápida resposta deles e à orientação dos nossos médicos de voo da Nasa, meu quadro clínico se estabilizou rapidamente”, disse, em comunicado.

Na ausência de gravidade, o corpo humano sofre transformações, com os fluidos se deslocam para a parte superior do tronco e da cabeça, o que pode causar desde inchaço no nervo óptico até a formação de coágulos.

Essas condições são monitoradas de perto pelos médicos da agência. Embora não possua todos os equipamentos de uma sala de emergência, a estação está equipada com material médico e Mike destacou a importância do ultrassom portátil, presente na estação desde 2011, para a avaliação das alterações corporais.  

Os passos da agência

Apesar da revelação da identidade, a natureza exata do diagnóstico permanece em privacidade pela Nasa, que possui uma política de não divulgar informações médicas pessoais de seus astronautas.

A agência costuma tratar esses episódios como dados de pesquisa para entender como o corpo se comporta em missões de longa duração, como a síndrome de adaptação espacial, que trata-se de uma doença caracterizada por vômitos e vertigens nas primeiras horas em microgravidade. 

O problema médico inesperado desencadeou uma série de eventos, visto que a equipe deixou para trás um corpo reduzido de apenas três astronautas para operar o laboratório orbital. 

Além do retorno antecipado do grupo, o lançamento da próxima missão de recrutamento de pessoal foi acelerado e um grupo de quatro astronautas, denominado Tripulação-12, chegou à estação espacial em 14 de fevereiro, retornando ao número considerado ideal para a realização dos experimentos, de sete pessoas.