07/01/2026 - 6:07
Embaixador Belli afirma que ação militar dos EUA na Venezuela é “afronta gravíssima à soberania” desse país e “ameaça a comunidade internacional com um precedente extremamente perigoso”.O governo brasileiro classificou nesta terça-feira (06/01), na reunião extraordinária da Organização dos Estados Americanos (OEA) realizada em Washington, de sequestro a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, pelos Estados Unidos.
“Os bombardeios no território da Venezuela e o sequestro de seu presidente ultrapassam uma linha inaceitável”, afirmou o representante permanente do Brasil na OEA, Benoni Belli.
Até agora, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e representantes da diplomacia brasileira haviam se referido como captura à ação das forças especiais americanas que, no sábado passado, resultou na detenção de Maduro e sua esposa, Cilia Flores.
A palavra sequestro também foi usada pelo presidente da Colômbia, Gustavo Petro, e por várias autoridades venezuelanas.
Em seu discurso, no qual não mencionou expressamente os Estados Unidos, Belli reiterou que os ataques à Venezuela representam “uma afronta gravíssima à soberania” desse país e “ameaçam a comunidade internacional com um precedente extremamente perigoso”.
“As agressões militares conduzem a um mundo em que a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo. Não podemos aceitar o argumento de que os fins justificam os meios”, afirmou.
Além disso, ele ressaltou que a Carta das Nações Unidas foi “claramente violada” e reafirmou a América Latina e o Caribe como uma “zona de paz”.
“A ação que acaba de ocorrer (…) evoca os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe”, declarou.
Nesse contexto, o diplomata afirmou que o Brasil “está determinado a agir” em prol da “preservação do patrimônio regional da paz”.
“O Brasil está convencido de que somente um processo político inclusivo, liderado pelos venezuelanos e livre de interferências externas, pode conduzir a uma solução que respeite a vontade do povo venezuelano e a dignidade humana no país”, concluiu.
Em reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, nesta segunda-feira, o embaixador do Brasil, Sérgio Danese, também disse que não é possível aceitar o argumento de que os fins justificariam os meios na intervenção armada dos Estados Unidos na Venezuela.
O governo brasileiro reconheceu já no sábado, poucas horas após a captura de Maduro em Caracas e sua transferência para Nova York para responder por acusações de narcoterrorismo, a vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina da Venezuela.
Lula e Delcy, que tomou posse como presidente interina no parlamento venezuelano, também conversaram brevemente por telefone para abordar a situação da Venezuela após os bombardeios dos EUA.
as (Efe, Agência Brasil)
