18/02/2026 - 16:12
Durante uma conferência da Associação Americana para o Avanço da Ciência, a Nasa revelou que cerca de 15 mil asteroides com diâmetro em torno de 140 metros — tamanho suficiente para destruir uma metrópole inteira — ainda não foram localizados ou identificados pelos sistemas de monitoramento terrestre.
Links relacionados:
+ NASA matou vida em Marte acidentalmente em 1976? Entenda a teoria
+ Estudo revela que Júpiter tem mais oxigênio que o Sol e é uma “cápsula do tempo”
A frase da Dra. Kelly Fast, oficial de Defesa Planetária da Nasa, resume o tamanho do desafio: “Não nos preocupamos tanto com os grandes asteroides dos filmes, porque sabemos onde eles estão”.
Resumo:
O ponto cego: das 25 mil rochas espaciais de porte médio estimadas próximas à Terra, apenas 40% foram catalogadas.
Invisibilidade térmica: muitos desses corpos são escuros e refletem pouca luz, escapando dos telescópios convencionais e exigindo sensores de calor.
Poder destrutivo: com 140 metros de diâmetro, um impacto causaria devastação regional catastrófica, o que rendeu a esses objetos o apelido de “assassinos de cidades”.
Defesa incompleta: embora a missão DART tenha provado que podemos desviar asteroides, essa capacidade ainda não está em “pronta-entrega” para uma emergência imediata.
A corrida contra o relógio e o NEO Surveyor
Para fechar essa lacuna de segurança, a Nasa aposta todas as suas fichas no lançamento do telescópio espacial Near-Earth Object (NEO) Surveyor, previsto para 2027. Diferente dos observatórios terrestres, que dependem da luz visível e do céu noturno, o Surveyor utilizará assinaturas térmicas para “enxergar” o calor emitido pelos asteroides escuros.
A meta é ambiciosa: catalogar mais de 90% dos objetos perigosos na próxima década. Como destacou Nancy Chabot, coordenadora de defesa planetária, a detecção precoce é o único fator que torna o desvio tecnicamente viável. Sem anos de antecedência, mesmo a tecnologia mais avançada seria inútil.
O legado da missão DART e o futuro da defesa
A missão DART (Double Asteroid Redirection Test) foi um marco ao colidir uma nave contra um asteroide e alterar sua órbita com sucesso. No entanto, os cientistas são unânimes: a Terra ainda é, no momento, praticamente indefesa. Transformar um teste bem-sucedido em uma rede de proteção permanente requer investimento contínuo e cooperação internacional, transformando a astronomia de uma ciência contemplativa em uma ferramenta de sobrevivência da espécie.
“A capacidade de desviar um asteroide é tecnicamente possível, mas ainda não está pronta para uso imediato. Localizar a ameaça com antecedência é crucial.”
Nancy Chabot, coordenadora de defesa planetária da Nasa
Tecnologia infravermelha
A detecção de objetos próximos à Terra (NEOs, na sigla em inglês) depende tradicionalmente da luz visível refletida. No entanto, muitos dos asteroides mais perigosos são compostos de materiais ricos em carbono, tornando-os tão escuros quanto o carvão. O NEO Surveyor supera essa limitação ao deixar de procurar por “brilho” e passar a buscar por “calor”.
1. O princípio da assinatura térmica
Diferente dos telescópios ópticos, que operam de forma semelhante ao olho humano, o NEO Surveyor utiliza sensores de infravermelho médio.
Absorção vs. reflexão: asteroides escuros (com baixo albedo) absorvem a maior parte da luz solar que recebem, em vez de refleti-la.
Reemissão de calor: essa energia absorvida é reemitida de volta ao espaço na forma de radiação infravermelha (calor). Mesmo um asteroide “negro” brilha intensamente quando observado em comprimentos de onda térmicos.
2. Detecção no espectro infravermelho
O telescópio operará em dois canais sensíveis ao calor, permitindo identificar o tamanho exato dos objetos.
Cálculo de diâmetro: no espectro visual, um objeto pequeno e brilhante pode parecer idêntico a um objeto grande e escuro. No infravermelho, a quantidade de calor emitida está diretamente ligada à área da superfície. Isso permite que a Nasa calcule o tamanho real do asteroide com uma precisão impossível para telescópios terrestres.
3. Posicionamento estratégico (ponto de Lagrange L1)
O NEO Surveyor não orbitará a Terra, mas sim o ponto L1 (Lagrange 1), localizado entre a Terra e o Sol.
Vantagem visual: esse posicionamento permite que o telescópio olhe “para fora” da Terra e monitore áreas próximas ao Sol, eliminando o “ponto cego” causado pelo brilho solar que impede as observações feitas a partir do solo.
Operação 24/7: no espaço, sem atmosfera e sem a interrupção do ciclo dia/noite, a vigilância é ininterrupta.
4. Criogenia passiva e estabilidade
Para detectar o calor fraco de um asteroide distante, o próprio telescópio precisa estar extremamente frio.
O NEO Surveyor utiliza um design de resfriamento passivo, com escudos solares gigantescos que mantêm os sensores em temperaturas próximas de $-240$°C ($33$ K). Sem esse resfriamento, o próprio calor do telescópio “cegaria” os sensores infravermelhos.
Resumo das especificações técnicas
| Característica | Detalhe técnico |
| Tipo de sensor | Telureto de mercúrio e cádmio (HgCdTe) |
| Comprimento de onda | Infravermelho médio (canais de 4 a 10 micra) |
| Localização | Órbita de halo no ponto L1 Sol-Terra |
| Objetivo | Detectar >90% de NEOs maiores que 140 metros |
| Diferencial | Independente do albedo (refletividade) do asteroide |
