16/02/2026 - 12:31
Uma das maiores interrogações da astronomia moderna voltou ao centro do debate científico: a possibilidade de a humanidade ter detectado vida extraterrestre há 50 anos — e, inadvertidamente, a dizimado. A tese, defendida pelo astrobiólogo Dirk Schulze-Makuch, da Universidade Técnica de Berlim, sugere que os experimentos realizados pelas sondas Viking 1 e 2, em 1976, podem ter sufocado micro-organismos marcianos durante o processo de coleta e análise.
O experimento: as sondas Viking realizaram testes biológicos no solo de Marte, buscando sinais de metabolismo.
Falso positivo? um dos testes detectou emissões gasosas que sugeriam atividade biológica, mas os resultados foram inconclusivos e descartados pela Nasa na época.
Hipótese de afogamento: Schulze-Makuch argumenta que a introdução de água líquida nos experimentos pode ter matado micróbios adaptados à extrema aridez marciana.
Paradoxo técnico: a busca por vida “como a conhecemos” (baseada em água) pode ter ignorado a biologia específica de um planeta desértico.
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Na década de 1970, as missões Viking representaram o ápice da tecnologia espacial. Equipadas com instrumentos para detectar vida, as sondas enviaram dados que intrigam cientistas até hoje. O experimento Labeled Release (Liberação Marcada) apresentou resultados positivos para metabolismo, mas a ausência de compostos orgânicos detectada por outro instrumento levou a agência espacial americana a concluir que os sinais eram fruto de reações químicas inorgânicas.
O erro do “excesso de cuidado”
A teoria de Schulze-Makuch propõe que os cientistas da época cometeram um erro fundamental de perspectiva. Se a vida em Marte evoluiu para sobreviver em um ambiente hiperárido, a introdução súbita de água — utilizada nos experimentos para “estimular” os micróbios — teria causado um choque osmótico fatal. Seria o equivalente a tentar resgatar um humano no deserto afogando-o em um oceano.
O astrobiólogo sugere que a vida marciana pode conter peróxido de hidrogênio em suas células, uma adaptação que permitiria extrair umidade da atmosfera e evitar o congelamento. “Se essas células existiam, os experimentos da Viking teriam inundado e destruído esses micro-organismos”, afirma o pesquisador.
“Precisamos de uma nova missão a Marte focada especificamente na detecção de vida, mas com protocolos que respeitem a ecologia árida do planeta.”
Dirk Schulze-Makuch, astrobiólogo
O impacto para as futuras missões
A polêmica levanta um alerta para as missões atuais e futuras, como a Perseverance. A busca por bioassinaturas exige agora uma compreensão mais profunda da “química da vida” em condições extremas, evitando o viés antropocêntrico de que toda vida necessita de água em abundância para florescer.
Cinquenta anos depois, o solo marciano continua sendo o maior laboratório da humanidade fora da Terra. A possibilidade de termos encontrado — e perdido — a prova de que não estamos sozinhos no universo serve como um lembrete da complexidade da ciência planetária e da necessidade de cautela ao interagir com ambientes alienígenas.
