30/11/2025 - 12:30
Premiê israelense, que alega inocência, disse que medida é questão de “interesse nacional”. País está sendo “dilacerado” pelo julgamento e precisa de “reconciliação”, argumentou.Réu perante a justiça israelense sob diversas acusações de corrupção, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu apelou ao presidente de Israel , Isaac Herzog, para tentar encerrar seus processos, alegando que eles fazem mal ao país.
A informação foi anunciada pelo gabinete do próprio Netanyahu neste domingo (30/11), poucas semanas depois de o presidente americano Donald Trump pedir a Herzog que perdoasse o premiê.
“O julgamento no meu caso tem tramitado há quase seis anos, e espera-se que continue por muitos anos mais”, disse Netanyahu em um pronunciamento em vídeo.
O premiê, que alega inocência, diz que gostaria de deixar os processos seguirem seu curso até que ele fosse inocentado, mas que “a segurança e realidade política – o interesse nacional – impõem o contrário”.
“O Estado de Israel está enfrentando desafios imensos”, argumentou. “A continuidade do julgamento está nos dilacerando por dentro, despertando divisões profundas, intensificando abismos.”
Na petição a Herzog, Netanyahu afirma que a exigência de que ele deponha três vezes por semana “desequilibrou a balança” e é “impossível” de se cumprir. “Tenho certeza, como muitos outros na nação, de que o fim imediato do julgamento ajudará muito a reduzir as tensões e a promover a ampla reconciliação de que nosso país tanto precisa.”
O que pesa contra Netanyahu
As acusações contra Netanyahu expuseram as fraturas na sociedade israelense, dividida entre críticos e apoiadores do premiê – estes últimos afirmam que o chefe de governo isralense é alvo de perseguição política.
Netanyahu e a esposa, Sara, são acusados em um dos casos de aceitar bens de luxo estimados em mais de 260 mil dólares de bilionários em troca de favores políticos. O premiê também responde em outros dois casos por supostamente tentar negociar uma cobertura mais favorável do governo de dois meios de comunicação israelenses. Ele começou a ser julgado em 2020.
O gabinete de Herzog, que confirmou ter recebido o requerimento de Netanyahu, afirmou que analisaria o caso após receber “todas as opiniões relevantes”. “Este é um pedido extraordinário, que carrega consigo implicações significativas.”
Em setembro, Herzog já havia indicado que poderia perdoar Netanyahu, afirmando que o caso “pesa demais sobre a sociedade israelense”.
Segundo o jornal israelense Times of Israel, o presidente tem, na condição de chefe de Estado, poderes legais para perdoar condenados – mas pode, em casos raros, estender o benefício a réus antes mesmo da conclusão de um julgamento, caso isso seja considerado como de interesse público.
Rivais do premiê isralense afirmam que um eventual perdão enfraqueceria o Estado Democrático de Direito em Israel e seria uma sinalização perigosa de que o político está acima da lei.
Netanyahu é o premiê mais longevo que Israel já teve, tendo ocupado o cargo por mais de 18 anos, somados todos os mandatos desde 1996.
No mandato atual, que começou em 2022, o chefe de governo isralense propôs reformas abrangentes que, segundo críticos, visam enfraquecer o Judiciário . A iniciativa desencadeou protestos massivos , que só minguaram com a deflagração da guerra na Faixa de Gaza, em outubro de 2023.
O país deve voltar às urnas antes de 2026, e Netanyahu já anunciou que pretende disputar a reeleição.
ra (Reuters, AP, ots)