Divulgações que envolvem Mette-Marit surgem em meio à prisão do filho da herdeira da Coroa, também acusado de estupro. Casal que inspirou filme “Oslo” também teve relação com criminoso sexual.Alguns dos principais nomes da elite política da Noruega, incluindo um ex-primeiro-ministro e a herdeira da coroa real do país, tiveram contatos diretos com Jeffrey Epstein , pivô de um escândalo envolvendo aliciamento de menores e festas sexuais e que foi encontrado morto na prisão em 2019 .

A princesa da Noruega, Mette-Marit; o ex-primeiro-ministro, ex-presidente do comitê do prêmio Nobel e ex-chefe do Comitê Europeu Thorbjorn Jagland; e o atual presidente do Fórum Econômico Mundial, Borge Brende, estão presentes na nova leva de documentos do caso Epstein que foi divulgada nessa sexta-feira (30/1), pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos.

Outros noruegueses que aparecem nos arquivos são o atual vice-presidente do Comitê do Nobel, Asle Toje; e o casal de diplomatas Terje Rod-Larsen e Mona Juul, que atuaram nas negociações de paz de Oslo entre Israel e a Palestina .

Todos lamentaram a associação com Epstein e afirmam que não tinham conhecimento da conduta do criminoso sexual – com exceção de Toje, que negou ter participado da comunicação com o americano.

A princesa herdeira da Noruega, Mette-Marit, cujo nome aparece pelo menos mil vezes nos 3 milhões de arquivos recém-divulgados, pediu desculpas por sua amizade “embaraçosa” com Epstein, disse que “demonstrou falta de discernimento” e lamentou qualquer contato com o magnata. A correspondência entre os dois ocorreu entre 2011 a 2014.

Mette-Marit citou filho acusado de estupro

A divulgação surge em meio a outro escândalo, desta vez envolvendo Marius Borg Hoiby, de 29 anos, um dos filhos da princesa, que foi preso nesta segunda-feira (02/02) por suspeita de lesão corporal, porte de faca e violação de uma ordem de restrição.

A prisão ocorre um dia antes do início do julgamento de Hoiby, que é acusado de 38 crimes, incluindo ter estuprado quatro mulheres e cometido violência doméstica contra a ex-companheira.

Em um e-mail, Mette-Marit perguntou a Epstein se era “inadequado para uma mãe sugerir duas mulheres nuas carregando uma prancha de surfe para o papel de parede do meu filho de 15 anos”. O filho em questão é Marius Borg Hoiby – ele não é herdeiro da Coroa por ser fruto de um relacionamento anterior ao casamento dela com o príncipe Haakon.

Segundo os documentos divulgados, Mette-Marit manteve uma estreita amizade com Epstein durante vários anos, chegando a visitar a luxuosa mansão do magnata em Palm Beach, na Florida, durante quatro dias no início de 2013, mesmo que ele não estivesse lá. A princesa norueguesa também ofereceu ao milionário americano conselhos sobre como “encontrar uma mulher”.

Quando Epstein disse a ela que estava em Paris “à procura de uma esposa” em 2012, ela respondeu dizendo que a capital francesa era “boa para o adultério” e que “as escandinavas são melhores como esposas”.

Em outra, ela disse a ele que ele era “muito charmoso”. Epstein já havia se declarado culpado em 2008 por solicitar prostituição a uma menor.

Após a divulgação dos arquivos, a princesa de 52 anos lamentou “não ter verificado mais de perto o passado de Epstein e não ter compreendido rapidamente que tipo de pessoa ele era”.

No entanto, em 2011, Mette-Marit escreveu a Epstein que o tinha “pesquisado no Google”, acrescentando que ele “não parecia muito legal” e terminando a frase com um emoji sorridente.

De acordo com o palácio, a princesa cessou o contato com Epstein em 2014 porque sentia que ele estava “tentando usar seu relacionamento com a princesa herdeira como vantagem com outras pessoas”.

Elite política da Noruega envolvida

O atual primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Store, do Partido Trabalhista, comentou o envolvimento dos nomes noruegueses no escândalo de Epstein. “A própria princesa herdeira afirmou que demonstrou falta de discernimento, algo com que concordo”, disse ele. “Também acredito que Thorbjorn Jagland fez o mesmo”, completou, citando o ex-primeiro ministro e colega de partido.

Jagland, que liderou o país entre 1996 e 1997, planejou férias em família em uma das ilhas de Epstein em 2014, indicam os e-mails divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos. O ex-primeiro ministro, porém, ficou em uma das propriedades do criminoso sexual, enquanto a família dele se hospedou em outra.

Fontes do Conselho da Europa, que Jagland presidiu, indicaram ao jornal Verdens Gang que Epstein visitou a residência do norueguês em Estrasburgo pelo menos duas vezes e que Jagland se hospedou nas casas do magnata em Paris e Nova Iorque em diversas ocasiões.

Os documentos revelam ainda conversas sobre empréstimos para a compra de imóveis. Segundo Jagland, os contatos faziam parte de sua “atividade diplomática normal”.

Borge Brende, ex-ministro das Relações Exteriores da Noruega e presidente do Fórum Econômico Mundial desde 2017, também surge nos documentos. O politico jantou com Epstein em 2018 e 2019, pouco antes das primeiras condenações de Epstein por crimes sexuais.

O norueguês também declarou que desconhecia o passado criminoso de Epstein e lamentou não ter investigado mais a fundo.

Outro que aparece nos arquivos é o nome do casal Terje Rod-Larsen e Mona Juul, cuja história inspirou o filme “Oslo”. De acordo com a divulgação, filhos dos dois foram beneficiários do testamento de Epstein.

Já o vice-presidente do Comitê Nobel, Asle Toje, que está em diversas mensagens de texto entre o que parece ser Jeffrey Epstein e Terje Rod-Larsen, e entre Epstein e Steve Bannon (ex-conselheiro de Trump e guru da extrema-direita mundial), negou os contatos com o magnata.

“Nunca o conheci nem me comuniquei com ele. Esse é um caso de Terje Rod-Larsen, não meu”, afirmou ele ao portal norueguês Filter Nyheter. “Esse é um e-mail de uma pessoa que eu nunca conheci ou com quem nunca me comuniquei, sobre uma reunião que eu nunca iniciei e que nunca aconteceu”, garantiu ele.

fcl (AFP, Lusa, ots)