Com direção de Kleber Mendonça Filho, produção vence em duas categorias: melhor ator de drama, com Wagner Moura, e filme em língua não inglesa.O cinema brasileiro viveu uma noite histórica neste domingo (11/01) no Globo de Ouro, realizado no The Beverly Hilton, em Los Angeles (EUA). O filme O Agente Secreto , dirigido por Kleber Mendonça Filho, venceu duas das principais categorias da premiação: melhor filme em língua não inglesa e melhor ator em filme de drama, com Wagner Moura.

Apesar do desempenho expressivo, o longa brasileiro não levou o prêmio de melhor filme de drama, principal categoria da noite, que ficou com Hamnet. Ainda assim, a chamada “noite do Brasil” consolidou a presença do país entre os destaques da premiação.

O anúncio de melhor filme em língua não inglesa foi feito pelos atores Orlando Bloom e Minnie Driver. Ao revelar o vencedor, Driver saudou o público brasileiro com um “parabéns” dito em português. Na categoria, O Agente Secreto superou produções de cinco países: Valor Sentimental (Noruega), Sirât (Espanha), A Única Saída (Coreia do Sul), A Voz de Hind Rajab (Tunísia) e Foi Apenas um Acidente (França).

Ao receber a estatueta, Kleber Mendonça Filho iniciou o discurso saudando o país. “Eu quero dar um alô ao Brasil: alô, Brasil”, disse. Em seguida, agradeceu à distribuidora brasileira Vitrine Filmes, à produtora e companheira Emilie Lesclaux, à equipe e ao elenco. “Obrigado, Wagner Moura. As melhores coisas acontecem quando você tem um grande ator e um grande amigo. Eu dedico esse filme aos jovens cineastas”, afirmou o diretor. “Esse é um momento da história muito importante para fazer filmes, aqui nos Estados Unidos e no Brasil. Vamos continuar fazendo filmes”, acrescentou.

A vitória coroou um percurso internacional iniciado no Festival de Cannes, onde o filme teve estreia concorrendo à Palma de Ouro. Na ocasião, uma apresentação de frevo tomou a avenida Croisette e se tornou um dos momentos mais comentados da edição.

Melhor ator

Já Wagner Moura fez história ao se tornar o primeiro brasileiro a vencer o Globo de Ouro de melhor ator em filme de drama. Em seu discurso, falou em português e celebrou a cultura brasileira. “Viva a cultura brasileira”, disse o ator, ao destacar a parceria com Kleber Mendonça Filho, a quem definiu como “um gênio”, e a amizade construída ao longo do projeto.

Além de Wagner Moura, concorriam à categoria Joel Edgerton (Sonhos de Trem), Oscar Isaac (Frankenstein), Dwayne Johnson (Coração de Lutador: The Smashing Machine), Michael B. Jordan (Pecadores) e Jeremy Allen White (Springsteen: Salve-me do Desconhecido).

O filme resgata uma tradição brasileira na premiação, sendo o terceiro longa-metragem nacional a levar o prêmio nesta categoria: o primeiro foi Orfeu Negro, dirigido pelo francês Marcel Camus, que conquistou a estatueta em 1960. Central do Brasil venceu a mesma categoria em 1999. Já no ano passado, Fernanda Torres conquistou o prêmio de melhor atriz em filme de drama, com o filme Ainda Estou Aqui .

Hamnet e Uma batalha após a outra

Entre os demais vencedores do Globo de Ouro, o prêmio de melhor direção em filme ficou com Paul Thomas Anderson, por Uma Batalha Após a Outra.

Uma Batalha Após a Outra ganhou ainda os prêmios de melhor filme de comédia, melhor atriz coadjuvante para Teyana Taylor e melhor roteiro para Anderson.

Já melhor ator em filme de musical ou comédia foi conquistado por Timothée Chalamet, por Marty Supreme.

Além de melhor filme de drama, Hamnet venceu ainda na categoria melhor atriz de drama, com Jessie Buckley.

Na televisão, a série Adolescência saiu com dois prêmios de atuação: Owen Cooper venceu como melhor ator coadjuvante em série, e Stephen Graham foi premiado pela atuação como protagonista, além de também assinar a direção da produção.

Professor perseguido na ditadura

Com duas estatuetas e forte repercussão internacional, O Agente Secreto consolida o Brasil como um dos grandes protagonistas da atual temporada de premiações do cinema mundial.

Coprodução do Brasil com França, Alemanha e Holanda, O Agente Secreto é um thriller político com toques de realismo fantástico ambientado na época da ditadura militar.

A trama narra o retorno de um professor perseguido, interpretado por Wagner Moura, à sua cidade natal, Recife, em 1977, em plena ditadura. Lá, embora ainda incógnito, ele espera retomar uma vida tranquila com a família, mas acaba se deparando com a realidade dos violentos anos finais da ditadura militar no país.

O diretor do longa, Kleber Mendonça Filho, já havia dirigido os filmes Aquarius (2016) e Bacurau (2019), que tiveram grande repercussão internacional e acumularam prêmios em vários festivais de cinema ao redor do mundo.

md/as (Agência Brasil, DW, OTS)