30/01/2026 - 15:47
Pessoas que dormem tarde têm chance 79% maior de ter um problema cardiovascular e 16% de sofrer infarto, segundo estudo; outros fatores, como tabagismo e má alimentação, também influenciam risco.Pessoas de meia-idade e idosos – em especial mulheres – com o hábito de dormir tarde têm pior saúde cardiovascular em comparação com pessoas que são mais diurnas e ativas durante o dia, de acordo com um estudo publicado nesta semana pela Associação Americana do Coração .
Os pesquisadores analisaram dados de saúde de mais de 300 mil adultos com idade média de 57 anos do biobanco de dados do Reino Unido (UK Biobank), uma das bases biométricas mais completas do mundo, para analisar como os cronotipos (preferência natural de um indivíduo por um horário de sono) afetam a saúde cardiovascular.
Cronotipos: matinais, noturnos e intermediários
Cerca de 8% dos participantes disseram ser “definitivamente noturnos”. Esse grupo relatou ir pra cama geralmente por volta das 2 da manhã e fazer mais atividades no fim do dia.
As pessoas que se autodefiniram como “definitivamente matinais” são mais ativas nas primeiras horas do dia e vão dormir mais cedo, por volta das 21h. Elas representam quase um quarto dos participantes.
Cerca de 67% dos entrevistados foram enquadrados no cronotipo “intermediário” porque não sabiam dizer se eram pessoas diurnas ou noturnas.
Maior risco cardiovascular em pessoas noturnas
O estudo mediu a saúde cardiovascular dos participantes com base em métricas como dieta, atividade física, consumo de tabaco, qualidade do sono e níveis de peso, colesterol, açúcar no sangue e pressão arterial.
A análise constatou que, em comparação com os cronotipos intermediários, as “pessoas vespertinas” ou noturnas apresentaram um risco 79% maior de ter uma pontuação geral de saúde cardiovascular deficiente.
Além disso, os noturnos tinham um risco 16% maior de sofrer um infarto ou acidente vascular cerebral em comparação com as pessoas da categoria intermediária, levando em consideração a média verificada em 14 anos de acompanhamento.
O estudo também relacionou o cronotipo vespertino com piores pontuações de saúde cardiovascular em mulheres do que em homens.
Desalinhamento circadiano e maus hábitos
Grande parte do maior risco cardiovascular entre os notívagos se deve ao fato de essas pessoas terem hábitos prejudiciais à saúde do coração, especialmente o consumo de nicotina e sono inadequado .
Por outro lado, as “pessoas diurnas” ou madrugadoras apresentaram um risco 5% menor de pontuações baixas de saúde cardíaca em comparação com as outras.
“As ‘pessoas noturnas’ frequentemente experimentam desalinhamento circadiano, o que significa que seu relógio biológico interno pode não coincidir com o ciclo natural de luz do dia e da noite ou com seus horários diários típicos”, explica o autor principal do estudo, Sina Kianersi, pesquisador associado da divisão de distúrbios do sono e circadianos do Hospital Brigham and Women’s e da Harvard Medical School, ambos em Boston.
“É mais provável que as pessoas noturnas tenham comportamentos que podem afetar a saúde cardiovascular, como uma dieta de pior qualidade, tabagismo e sono inadequado ou irregular”.
Opções para melhorar a saúde cardiovascular
As conclusões do estudo não são uma sentença para os notívagos, observa Kristen Knutson, que liderou as recentes diretrizes da associação de cardiologia sobre ritmos circadianos, mas não esteve envolvida no novo estudo.
“Essas descobertas mostram que os maiores riscos de doenças cardíacas entre os cronotipos noturnos se devem, em parte, a comportamentos modificáveis, como tabagismo e sono. Portanto, essas pessoas têm opções para melhorar sua saúde cardiovascular”, afirma.
De fato, a declaração científica da American Heart Association que Knutson liderou sugere que o cronotipo individual deve ser levado em consideração ao escolher intervenções ou tratamentos: “Alguns medicamentos ou terapias funcionam melhor quando alinhados com um momento específico dos ritmos circadianos relevantes, e esse momento irá variar dependendo se você é um cronotipo matutino, intermediário ou vespertino”.
Entre as principais limitações do estudo, os autores apontam que a maioria dos participantes do biobanco eram pessoas brancas e geralmente mais saudáveis do que a população em geral, e que a preferência noturna em relação à matutina foi medida apenas uma vez, de forma autodeclarada.
sf/ra (EFE, ots)