Jovem teria sido atraída por ex-namorado para apartamento onde ocorreu o crime. Justiça aceita denúncia contra quatro suspeitos. Outras supostas vítimas denunciam novos casos.O caso do estupro coletivo de uma adolescente de 17 anos em um apartamento em Copacabana, no Rio de Janeiro, causou indignação. O episódio veio à tona no final de semana, após a Polícia Civil fazer buscas pelos suspeitos.

De acordo com a investigação, o crime teria ocorrido em 31 de janeiro. Um adolescente de 17 anos teria atraído a vítima, que era sua ex-namorada, até o local, onde estavam os outros quatros acusados. Quando a vítima estava no quarto com o ex, tendo uma relação consensual, o local foi invadido pelos quatro acusados.

No quarto, o adolescente pediu que a vítima permitisse que os outros homens permanecessem no local. Ela teria consentido. Os outros homens passaram a tocá-la e a beijá-la à força. Ela foi impedida de sair do quarto, onde foi estuprada e agredida fisicamente pelos acusados. Após as agressões, um dos acusados teria chegado a pedir que a vítima trouxesse uma amiga da próxima vez.

Ao chegar em casa, a vítima contou o ocorrido para família e foi levada à delegacia para denunciar o crime. O exame de corpo delito apontou lesões compatíveis com violência física. Câmeras de segurança registraram a chegada do grupo ao apartamento e o momento no qual a vítima e posteriormente os acusados deixaram o local. Conversas em um aplicativo de mensagens também foram incluídas no inquérito.

Suspeitos se tornam réus

A polícia concluiu o inquérito e indiciou os quatro suspeitos maiores de idade por estupro qualificado, devido ao fato da vítima ser menor de idade, e cárcere privado. Como um dos acusados é menor de idade, a polícia enviou o inquérito para o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e pediu a apreensão dele por fato análogo ao crime.

O Ministério Público se manifestou contra a internação do menor acusado. Segundo o G1, o promotor Carlos Marcelo Messenberg, da 1ª Promotoria da Infância e da Juventude Infracional da capital, disse não haver elementos nos autos que demostrassem a necessidade da apreensão do jovem.

A Justiça do Rio de Janeiro aceitou a denúncia do Ministério Público contra os quatro maiores acusados, que se tornaram réus por estupro qualificado e cárcere privado. A pena neste caso pode chegar a quase 20 anos de prisão.

Quem são os réus

Os quatro réus do caso são Mattheus Verissimo Zoel Martins, de 19 anos, João Gabriel Xavier Bertho, de 19 anos, Bruno Felipe dos Santos Allegretti, de 18 anos, e Vitor Hugo Oliveira Simonin, de 18 anos.

João Gabriel era jogador do Serrano FC, que afastou o acusado após a revelação sobre o crime. Já o adolescente e Vitor Hugo são alunos do Colégio Pedro 2º, um dos mais tradicionais do Rio de Janeiro. Os dois já haviam sofrido advertências e suspensões por comportamento inadequado na escola. Agora, a instituição abriu um processo administrativo para desligar os suspeitos.

Vitor Hugo é ainda filho de José Carlos Costa Simonin, subsecretário estadual de Governança, Compliance e Gestão Administrativa. Simonin foi exonerado após a repercussão do caso.

Já Bruno é estudante de Ciências Ambientais na Universidade Federal do Rio de Janeiro (Unirio). A universidade o suspendeu por 120 dias. Mattheus é atleta do S.C. Humaitá.

Três dos réus, Vitor Hugo, Mattheus e João Gabriel, se entregaram à polícia e foram presos. O outro acusado continua foragido. A defesa de João Gabriel nega a ocorrência do estupro.

Emboscada

Em entrevista ao RJ1, o delegado responsável pelas investigações, Ângelo Lajes, afirmou que a adolescente foi vítima de uma embocada premeditada.

“O adolescente infrator se valeu da confiança que tinha com essa adolescente. Ele estudava no mesmo colégio, tinha um relacionamento anterior. Ele a convidou para o apartamento e combinou previamente com os outros acusados que estavam lá. E, a partir da chegada dela no imóvel, eles foram para o quarto e cometeram não só a violência sexual como psicológica e agressões físicas”, afirmou.

Outras vítimas

Após a divulgação do caso, outras duas vítimas procuraram a polícia para denunciar estupros que teriam sido cometidos por alguns dos integrantes do grupo. Um dos casos teria ocorrido em 2023, quando a suposta vítima tinha apenas 14 anos, e o outro em outubro do ano passado.

“Vamos tratar isso com muita cautela e cuidado porque precisamos trabalhar de forma muito técnica. Assim que essas vítimas aparecerem na delegacia, elas serão ouvidas em uma oitiva qualificada para que possamos trazer as provas aos autos”, disse Lajes, em entrevista ao RJ1.

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