17/02/2026 - 15:20
Agência de inteligência alemã aumentou cerco ao diretório estadual do partido de ultradireita alegando “desprezo ao Estado de Direito”. Sigla já é investigada por suspeita de extremismo.O Departamento de Proteção da Constituição da Alemanha, órgão estatal de inteligência, autorizou medidas mais rigorosas de monitoramento contra o diretório estadual do partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD) na Baixa Saxônia, suspeita de possíveis vínculos com grupos extremistas.
Trata-se do primeiro diretório da AfD nos estados da antiga Alemanha Ocidental a receber tal classificação.
Embora o diretório não seja considerado comprovadamente como “extremista de direita”, a decisão desta terça-feira (17/02) dá a investigadores maior autonomia para apurar condutas que ameacem a ordem democrática. Isso significa, por exemplo, que eles poderão usar mais facilmente agentes infiltrados e interceptar a comunicação de membros do partido.
A AfD anunciou que vai recorrer à Justiça.
A nova classificação é consequência de uma longa análise pelo órgão de inteligência na Baixa Saxônia. No Estado, a AfD já havia sido considerada “suspeita” em maio de 2022, classificação que foi prorrogada em 2024 e, agora, mantida e ampliada.
Segundo o Ministério Estadual do Interior, a ideologia de extrema direita é “consenso” dentro da AfD, tanto em nível federal quanto estadual. O diretório na Baixa Saxônia até teria uma postura mais moderada em alguns casos, mas sem se distanciar das forças extremistas.
A ministra estadual do Interior, a social-democrata Daniela Behrens, afirmou que o extremismo de direita é o maior perigo para a sociedade e que a AfD “despreza o nosso Estado e as nossas instituições democráticas”.
“Difamação do Estado democrático de Direito”
As autoridades alemãs afirmam que o diretório estadual da AfD defende uma concepção de povo baseada em etnia e ancestralidade, e que essa visão é “elemento central de uma ideologia nacionalista-populista”.
O diretório também foi acusado de promover “o desprezo e a difamação do Estado democrático de direito”, assim como a “desvalorização generalizada de grupos de pessoas”, por meio da hostilidade contra migrantes, estrangeiros e pessoas LGBTQ+, o que é incompatível com a Constituição.
Organização extremista de direita
Na Alemanha, representações regionais da AfD foram consideradas “comprovadamente” como organizações de extrema direita nos estados da Saxônia-Anhalt, Saxônia, Turíngia e Brandemburgo. Outros diretórios, em Bremen, Baden-Württemberg, Hessen e Baviera, são atualmente monitorados pelas autoridades.
Em maio do ano passado, a AfD a nível nacional chegou a ser classificada como organização de extrema direita, mas o partido recorreu da decisão e conseguiu suspender a medida até que o mérito da ação seja julgado. Até lá, o partido continua sendo considerado um caso “suspeito”.
A classificação faz diferença porque poderia, eventualmente, impulsionar uma ação para proibir o partido. A medida, porém, é impopular entre a maioria da classe política alemã. Tal decisão caberia ao Tribunal Constitucional Federal.
A AfD conseguiu eleger a segunda maior bancada no Parlamento nas eleições federais de 2025, com quase 24% das cadeiras – atrás apenas do bloco conservador CDU/CSU, do chanceler federal Friedrich Merz (33%); e à frente dos social-democratas (19%).
Nas últimas pesquisas de opinião, a AfD aparece atualmente empatada nas sondagens com a CDU/CSU, com cerca de 25% das intenções de voto.
fcl/ra (dpa, afp, ots)
