Ataques americanos e israelenses contra o território iraniano agravam tensões no Oriente Médio, enquanto o conflito se espalha pela região. Ilustrações e mapas dão uma visão geral dos acontecimentos.Após semanas de negociações entre autoridades americanas e iranianas sobre o programa nuclear do Irã, os Estados Unidos e Israel lançaram, em 28 de fevereiro, uma cooperação coordenada denominada operações Fúria Épica e Leão Rugidor contra o regime iraniano.

Para melhor compreender a guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, aqui está uma análise do que aconteceu e suas consequências em mapas e gráficos.

1. Quais os locais atingidos pelos ataques de EUA e Israel?

Forças dos EUA e de Israel atacaram diversas bases militares e prédios governamentais iranianos. Imagens de satélite mostram a extensão da destruição causada pelos ataques conjuntos.

Por exemplo, a residência do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, sofreu graves danos. Khamenei e outros altos funcionários foram mortos no ataque.

Em Kermanshah, imagens recentes de satélite mostram danos em vários edifícios de uma instalação de mísseis.

O acesso a uma instalação subterrânea de mísseis perto de Kangavar também parece ter sido destruído.

2. Onde os EUA e Israel atacaram e onde o Irã retaliou?

Enquanto os EUA e Israel continuam a atacar alvos no Irã, Teerã retalia com ataques contra Israel e outros países, particularmente os aliados de Washington. Além do Golfo Pérsico, a guerra também se estendeu ao Líbano.

Quando o presidente dos EUA, Donald Trump, se reuniu com o chanceler federal alemão, Friedrich Merz, na Casa Branca nesta última terça-feira, o americano se gabou de que “praticamente tudo foi destruído” no Irã, incluindo sua Marinha, Força Aérea e sistemas de defesa antiaérea.

Trump disse que as novas ondas de ataques mataram até mesmo figuras iranianas que poderiam ter assumido o poder como novos líderes. “A maioria das pessoas que tínhamos em mente está morta.”

3. Por que os EUA e Israel atacaram o Irã?

Trump e membros do alto escalão do governo dos EUA deram diferentes razões para os ataques. O presidente afirmou que um dos principais objetivos é “eliminar de uma vez por todas o programa nuclear iraniano”.

Quando a campanha de bombardeio começou no sábado, Trump também instou os iranianos a “assumirem o controle do governo” tão logo o bombardeio terminasse. Nesta segunda-feira, o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, por exemplo, afirmou que os ataques ao Irã não são uma “guerra de mudança de regime”.

4. Quais líderes do Irã foram mortos?

O aiatolá Ali Khamenei, líder supremo que governou o Irã por quase quatro décadas, foi morto no primeiro dia do ataque coordenado entre EUA e Israel. Outros líderes importantes também foram alvejados e mortos.

Após a morte do líder supremo, quem governa o Irã? Há três homens no conselho de liderança interina do país: o presidente Masoud Pezeshkian, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gholamhossein Mohseni-Ejei, e Alireza Arafi, membro religioso do Conselho dos Guardiães.

Antes da morte do aiatolá, nenhum sucessor havia sido nomeado. De acordo com a Constituição do Irã, essa tarefa cabe ao Conselho de Especialistas, um órgão eleito composto por 88 clérigos de alto escalão.

Atualmente, o vácuo de poder parece estar sendo preenchido pelo principal oficial de segurança nacional do Irã, Ali Larijani.

5. Por quanto tempo o Irã pode resistir?

Embora vários altos funcionários iranianos tenham sido mortos, o regime do Irã permanece intacto. Trump projetou que a guerra duraria de quatro a cinco semanas, mas disse estar preparado “para ir muito mais longe do que isso”, se necessário.

Abaixo, uma comparação da força militar do Irã, dos EUA e de Israel.

Em 4 de março, os militares israelenses alertaram que o Irã mantém uma capacidade substancial de lançar mísseis contra Israel, apesar dos ataques contínuos contra locais de lançamento de mísseis na República Islâmica.

“Continuaremos a atacar os lançadores de mísseis e a reduzir os disparos, mas o regime ainda tem uma capacidade significativa, e gostaria de lembrar que nossa defesa não é impenetrável”, disse a porta-voz militar, brigadeiro-general Effie Defrin, durante uma coletiva de imprensa.

Os militares também disseram em um comunicado que atacaram uma instalação “para armazenamento, produção e lançamento de mísseis balísticos, incluindo mísseis Ghadr, em Isfahan, no oeste do Irã”.

Imagens de satélite recentes mostram que um prédio em uma base de mísseis perto de Isfahan foi atingido.

6. Quantas pessoas já morreram?

Não há dados confiáveis disponíveis para fornecer um número definitivo de pessoas mortas nos ataques.

No caso do Irã, as estimativas variam de 500 a mais de 800. Para Omã, Iraque, Bahrein, Emirados Árabes Unidos (EAU) e Kuwait, foram relatadas até esta quinta-feira (05/03) menos de 10 mortes.

Os números para o Líbano variam de 10 a mais de 50 mortes. Seis soldados americanos foram mortos em um ataque a uma base aérea americana no Kuwait. Em Israel, 11 baixas foram relatadas.

7. Qual é a situação no Estreito de Ormuz?

O tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, um dos gargalos mais importantes do mundo do transporte de petróleo e gás natural liquefeito, foi paralisado. O general da Guarda Revolucionária, Ebrahim Jabbari, declarou que o Irã “queimará qualquer navio” que tentar atravessar essa rota marítima vital.

Em resposta, Trump disse que, se necessário, a Marinha dos EUA poderia começar a escoltar petroleiros que transitam pelo Estreito.

Nesta quarta-feira, a Guarda Revolucionária afirmou que o estreito está sob o “controle total” da Marinha iraniana, de acordo com a agência de notícias semioficial Fars.

8. Como a guerra afeta os preços do petróleo?

Após a escalada do conflito no Oriente Médio, os preços globais do petróleo, como esperado, dispararam. O petróleo bruto Brent do Mar do Norte, a referência internacional, vem atingindo novos recordes pela primeira vez desde julho de 2024 e nesta quinta-feira passou a marca de 85 dólares (R$ 450) por barril .