Um para-sol gigante no espaço poderia reduzir a temperatura média da Terra em aproximadamente 1 °C, segundo modelos climáticos analisados por pesquisadores. A proposta consiste em interceptar parte da radiação solar antes que ela chegue ao planeta.

O Planetary Sunshade Institute, organização sem fins lucrativos dos Estados Unidos, publicou em outubro um relatório sobre a viabilidade dessa abordagem. O documento estima que iniciar a construção poderia se tornar tecnicamente viável em 20 a 40 anos, dependendo do desenvolvimento do transporte espacial e do aproveitamento de recursos da Lua.

A previsão ainda envolve incertezas. O relatório compara seis configurações de proteção solar espacial, que precisam de mais pesquisas antes de qualquer implementação.

Como funcionaria o para-sol gigante no espaço?

A ideia é posicionar estruturas entre a Terra e o Sol para reduzir a quantidade de energia solar recebida pelo planeta.

Segundo os modelos apresentados, bloquear aproximadamente 1% da radiação solar poderia provocar um resfriamento médio global de cerca de 1 °C.

As alternativas incluem satélites com superfícies refletoras e nuvens de partículas. As estruturas seriam instaladas a pouco mais de 2 milhões de quilômetros da Terra, em uma região estudada para esse tipo de intervenção.

Projeto prevê cerca de 5 mil satélites refletores

Uma das configurações envolve aproximadamente 5 mil equipamentos chamados heliogiros, cada um com cerca de 40 quilômetros de diâmetro.

Essas estruturas utilizariam lâminas refletoras muito finas. A rotação ajudaria a mantê-las estendidas, enquanto ajustes na orientação permitiriam controlar a quantidade de luz desviada.

A construção exigiria aproximadamente 70 milhões de toneladas de material, segundo os dados citados no relatório. Para reduzir a necessidade de lançamentos a partir da Terra, os pesquisadores consideram extrair materiais da Lua e montar componentes no espaço.

Nuvem de partículas é outra alternativa em estudo

Outra possibilidade é formar uma nuvem de partículas refletoras entre o Sol e a Terra.

Nessa configuração, espaçonaves utilizariam campos elétricos para controlar o deslocamento do material. A proposta poderia exigir uma massa centenas de vezes menor do que a necessária para a constelação de satélites.

Entretanto, os autores consideram essa opção mais especulativa, devido aos desafios técnicos ainda não resolvidos.

Quanto custaria construir um para-sol espacial?

Ainda não existe uma estimativa financeira confiável para a construção do sistema.

À revista Nature, a engenheira de sistemas espaciais Chantal Cappelletti, da Universidade de Nottingham, afirmou que o custo poderia chegar a dezenas de trilhões de dólares.

O transporte de milhões de toneladas de material seria um dos principais obstáculos. A viabilidade dependeria de foguetes com maior capacidade e da redução dos custos de lançamento.

A pesquisa recebeu aproximadamente 400 mil libras esterlinas, cerca de US$ 530 mil, da Agência de Pesquisa e Invenção Avançada do Reino Unido (ARIA). Esse financiamento foi destinado ao estudo, e não à construção do para-sol.

Quais são os riscos da geoengenharia solar?

O para-sol espacial faz parte da geoengenharia solar, que investiga formas de reduzir o aquecimento por meio da alteração da radiação recebida pela Terra.

Entre os riscos das estruturas espaciais está a poluição associada aos numerosos lançamentos de foguetes necessários para instalar o sistema.

Outras técnicas, como a dispersão de partículas refletoras na atmosfera, também levantam dúvidas sobre possíveis efeitos nas chuvas e no crescimento das plantas.

Críticos alertam que essas propostas podem desviar a atenção da redução das emissões de gases de efeito estufa. O próprio instituto reconhece a descarbonização como parte necessária da estabilização climática.

Quando a tecnologia poderia sair do papel?

A estimativa de 20 a 40 anos representa uma avaliação de viabilidade, não uma data confirmada para início ou conclusão da obra.

Há divergências entre os pesquisadores. O cientista climático Daniele Visioni, da Universidade Cornell, afirmou à Nature que a abordagem merece investigação, mas considera improvável que seja viável antes do fim deste século.

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