03/04/2025 - 19:46
Investigação avaliará se secretário de Defesa cumpriu regras para uso de aplicativo de mensagens comercial em assuntos oficiais. Caso ganhou destaque após vazamento de bate-papo entre autoridades sobre ataque no Iêmen.A agência responsável por supervisionar o Departamento de Defesa dos EUA investigará o uso do aplicativo de mensagens Signal pelo secretário de Defesa americano, Pete Hegseth, para discutir ataques aéreos no Iêmen, de acordo com um memorando divulgado nesta quinta-feira (03/04).
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está envolvido em um escândalo devido ao vazamento acidental de um bate-papo entre altos funcionários sobre ataques aéreos contra os rebeldes houthis no Iêmen para impedi-los de atacar embarcações comerciais e militares no Mar Vermelho e no Golfo de Áden.
A investigação avaliará “até que ponto o secretário de Defesa e outros funcionários do Departamento de Defesa cumpriram as políticas e os procedimentos para uso de um aplicativo de mensagens comercial para assuntos oficiais”, de acordo com o memorando do inspetor geral interino do Pentágono, Steven Stebbins.
“Além disso, analisaremos a conformidade com os requisitos de classificação e retenção de registros”, de acordo com o memorando, que diz que a investigação é uma resposta a uma solicitação dos dois membros mais graduados do Comitê de Serviços Armados do Senado, um republicano e um democrata.
Escândalo “Signalgate”
Considerando que a sala de bate-papo usada no chamado escândalo “Signalgate” estava programada para ser apagada automaticamente, isso poderia violar a legislação referente às comunicações entre funcionários federais, segundo a qual, correspondências entre autoridades do governo devem ser arquivadas.
O caso Signalgate veio à tona depois que o Conselheiro de Segurança Nacional americano, Mike Waltz, incluiu, aparentemente por engano, Jeffrey Goldberg, editor-chefe da revista The Atlantic, em um bate-papo do aplicativo Signal, onde vários membros do gabinete conversaram por quatro dias sobre os preparativos para um ataque militar no Iêmen em 15 de março.
Conforme relatado por Goldberg, no bate-papo, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, acabou revelando informações confidenciais, incluindo alvos, ativos militares mobilizados e, com aviso prévio de duas horas, o momento do ataque aos rebeldes houthis, o que poderia ter colocado em risco o pessoal militar dos EUA.
A investigação de Stebbins decorre de uma solicitação do Comitê de Serviços Armados do Senado.
O senador que preside a comissão, o republicano Roger Wicker, e o senador que lidera o grupo democrata dentro do órgão, Jack Reed, enviaram uma carta ao inspetor-geral do Pentágono na semana passada solicitando a investigação.
md (AFP, EFE)