27/04/2026 - 9:53
Pesquisadores brasileiros anunciaram, no fim de março, o nascimento do primeiro porco clonado da América Latina, resultado de um projeto científico voltado ao desenvolvimento de órgãos para transplante em humanos. O animal foi gerado em um laboratório do Instituto de Zootecnia da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (IZ-Apta), em Piracicaba, São Paulo.
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O feito é resultado de pesquisas do Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Xenotransplante (XenoBR), vinculado à Universidade de São Paulo (USP), e liderado pelos pesquisadores Silvano Raia, professor da Faculdade de Medicina (FM-USP); Mayana Zatz, professora do Instituto de Biociências (IB-USP) e coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL); e Jorge Kalil, imunologista e professor da FM-USP, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e parceria com a farmacêutica EMS.
Objetivo da clonagem
A clonagem de suínos era considerada uma das etapas mais complexas. Segundo o pesquisador Ernesto Goulart, professor do IB-USP, apesar da experiência nacional com outros animais, os porcos apresentam desafios biológicos específicos que dificultam o processo. O objetivo da pesquisa é viabilizar o xenotransplante, que se baseia em transplantes de órgãos entre espécies, por meio da modificação genética dos suínos. Com ferramentas como o CRISPR/Cas9, os cientistas desativam genes responsáveis pela rejeição imunológica e inserem genes humanos para aumentar a compatibilidade dos órgãos.
Primeiro clonado
O primeiro animal nasceu saudável, com 1,7 kg, após gestação de quase quatro meses. Outros embriões já foram implantados, e novas gestações estão em andamento, indicando que a técnica foi dominada pela equipe. Inicialmente, o projeto pretende produzir rins, córneas, corações e pele, que concentram a maior parte da demanda do SUS.
“Sabíamos que essa etapa representaria um dos maiores desafios no projeto até porque, embora o Brasil tenha vasta experiência na clonagem de bovinos e equinos, ainda não tem com suínos, considerados os animais mais desafiadores para essa técnica por razões biológicas ainda não totalmente compreendidas”, afirmou Ernesto Goulart.
A expectativa é que os órgãos possam, no futuro, ampliar a oferta de transplantes e reduzir a dependência de doadores humanos. Embora a tecnologia ainda esteja em fase experimental, é avaliado que o domínio nacional do xenotransplante é estratégico para o Brasil. A meta é que o Brasil consiga produzir órgãos a custos mais baixos e se torne referência na área na América latina.
