15/04/2026 - 14:06
Pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) identificaram uma nova espécie de réptil herbívoro que habitou o Rio Grande do Sul há cerca de 230 milhões de anos. O animal, pertencente ao grupo dos rincossauros, apresentava características físicas singulares, como um bico pontiagudo semelhante ao de um papagaio, utilizado para cortar vegetações e escavar raízes.
+ Fóssil de réptil de 247 milhões de anos intriga cientistas com crista ‘pré-pena’
+ Fóssil de nova espécie de réptil encontrado no Brasil ajuda a entender ascensão dos dinossauros
Batizada de Isodapedon varzealis, a espécie era um quadrúpede com comprimento estimado entre 1,2 e 1,5 metro. O estudo foi liderado pelo paleontólogo Rodrigo Temp Muller e pela mestranda Jeung Hee Schiefelbein, que detalharam as adaptações evolutivas do animal para o consumo de plantas específicas da era Triássica.
Como a análise foi feita
A preparação do fóssil demandou mais de seis meses de trabalho laboratorial. A equipe realizou a remoção minuciosa de sedimentos acumulados no crânio do animal, com foco especial na dentição. Essa região é considerada fundamental para a classificação taxonômica, pois preserva os traços morfológicos que distinguem o grupo.
De acordo com a análise, o bico curvado do réptil sugere uma especialização alimentar que permitia a coexistência com outros herbívoros da época. Por meio de estruturas de mastigação diferenciadas, cada espécie de rincossauro ocupava um nicho ecológico distinto, evitando a competição direta por recursos.
Rincossauros no Brasil
Com o anúncio, sobe para seis o número de espécies de rincossauros registradas no Triássico do Brasil. O achado é particularmente relevante por ter sido localizado em formações rochosas onde outras três espécies já haviam sido identificadas anteriormente.
O dado reforça a hipótese científica de que esses animais atingiram o ápice de sua diversidade biológica simultaneamente ao surgimento dos primeiros dinossauros.
Embora nem todas as espécies conhecidas tenham habitado a região no mesmo recorte temporal — algumas são separadas por milhões de anos —, a presença do Isodapedon varzealis nas mesmas camadas geológicas indica um ecossistema complexo e densamente povoado por grandes herbívoros antes da dominância global dos dinossauros.
