17/04/2026 - 11:50
Um grupo de pesquisa da USP (Universidade de São Paulo) identificou que as ondas de ultrassom de alta frequência, comumente utilizadas em procedimentos médicos, possuem a capacidade de eliminar os vírus da covid-19 e do H1N1. O método não danifica as células humanas e é descrito como ressonância acústica. O estudo foi liderado por Odemir Martinez Bruno, professor do IFSC (Instituto de Física de São Carlos) da USP.
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De acordo com a pesquisa, as ondas provocam alterações estruturais nas partículas virais até que estas sejam rompidas e inativadas. “Provamos nesse estudo que a energia das ondas sonoras provoca uma mudança morfológica nas partículas virais a ponto de elas explodirem, em um fenômeno comparável ao que acontece com uma pipoca”, explicou Odemir Martinez Bruno. Segundo o docente, ao degradar a membrana protetora, o patógeno perde a capacidade de invadir células humanas.
Método geométrico inovador
Em tese, o ultrassom não deveria interagir com os vírus, já que seu comprimento de onda é muito maior do que essas partículas. Ainda assim, os cientistas identificaram um método geométrico capaz de romper vírus envelopados.
“O fenômeno é totalmente geométrico. Partículas esféricas, como muitos vírus envelopados, absorvem melhor a energia das ondas de ultrassom. É esse acúmulo de energia no interior da partícula que causa as alterações na estrutura do envelope do vírus até a sua ruptura. Portanto, se os vírus fossem triangulares ou quadrados não sofreriam o mesmo efeito pipoca da ressonância acústica”, explica Bruno. Como o processo depende apenas do formato da partícula, variantes da covid-19, como ômicron e delta, não alteram sua eficácia.
A técnica é diferente da chamada cavitação, já usada para descontaminação. Enquanto a cavitação acontece em baixas frequências e destrói vírus e tecidos, a ressonância acústica age entre 3 e 20 MHz, fazendo a energia do ultrassom se concentrar apenas no vírus e romper seu envelope sem afetar as células humanas.
O desenvolvimento do projeto contou com a participação de físicos teóricos e especialistas do Centro de Pesquisa em Virologia e do CRID (Centro de Pesquisa em Doenças Inflamatórias), vinculados à FMRP-USP (Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto), à FCFRP-USP (Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto) e à Unesp (Universidade Estadual Paulista).
Os profissionais realizaram análises toxicológicas e estruturais por meio de microscopia e espalhamento de luz. Atualmente, a equipe conduz experimentos in vitro para testar a viabilidade do método contra os vírus da dengue, zika e chikungunya.
