Para surpresa de zero pessoas, a indústria dos combustíveis fósseis segue apostando seu futuro em produção e queima de mais energia suja à custa do clima global e dos compromissos climáticos assumidos recentemente por diversas empresas do setor.

Uma análise da Carbon Tracker mostrou que as gigantes do setor aprovaram até o 1º trimestre deste ano um total de investimentos da ordem de US$ 58 bilhões que só serão necessários se a demanda por petróleo e gás crescer a ponto de empurrar o aquecimento global para além de 2,5ºC neste século.

Ao todo, os investimentos aprovados pelas principais empresas do setor em novos campos de petróleo e gás somam US$ 166 bilhões, quase todos incompatíveis com a meta de aquecimento de 1,5ºC.

Falso alinhamento

O relatório destacou também que em 2023 essas companhias devem tomar decisões finais de investimentos de mais de US$ 35 bilhões até 2030 em 15 grandes projetos de produção de combustíveis fósseis.

“As empresas de petróleo e gás estão se promovendo como parte da solução para a mudança climática, ao mesmo tempo que planejam aumentos de produção que nos levarão a uma catástrofe climática”, alertou Thom Allen, um dos autores do relatório. “As empresas não podem alegar que estão alinhadas com as metas climáticas globais, ao menos que planejem cortar a produção”.

BloombergBusiness Green e Euronews repercutiram a notícia.

Em tempo: O Comitê de Supervisão e Reforma da Câmara dos Representantes dos EUA apresentou no início de dezembro novas evidências sobre como a indústria de combustíveis fósseis vem recorrendo ao greenwashing para ocultar seus enormes investimentos de longo prazo em energia suja. “Os documentos revelam que a indústria não tem planos reais para limpar seus negócios e está avançando com planos para produzir mais combustível sujo nas próximas décadas”, afirmou a presidente do colegiado, a deputada Carolyn B. Maloney. CNN e NBC News deram mais informações.