11/02/2026 - 12:55
Suspeitos discutiam uso de sedativos e faziam parte do círculo íntimo das vítimas. Sete brasileiros são suspeitos.A Polícia Federal (PF) efetuou, nesta quarta-feira (11/02), a prisão de três suspeitos de atuar em uma rede internacional que sedava, estuprava e disseminava vídeos de mulheres.
Os crimes eram cometidos por pessoas que viviam no entorno das vítimas – em alguns casos, pelos próprios parceiros.
Além dos mandados de prisão temporária, foram cumpridos ainda sete mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Ceará, Pará, Santa Catarina e Bahia, informou a PF sobre a Operação Somnus.
A investigação teve início em 2025 e contou com a cooperação da Europol, a agência da União Europeia (UE) para cooperação policial. As apurações envolveram mais de 20 países e permitiram a identificação de uma rede global que compartilhava material de abusos sexuais contra mulheres em estado de sedação.
“A Polícia Federal investiga a participação de sete brasileiros na prática criminosa. As mensagens trocadas revelaram que os suspeitos discutiam o uso de medicamentos com propriedades sedativas, demonstrando conhecimento sobre marcas comerciais e possíveis efeitos adversos dessas substâncias”, informou a instituição em um comunicado.
Os diversos casos, os agressores mantinham um vínculo de confiança com as vítimas e relações “íntimas, familiares ou de proximidade”, disse uma fonte da polícia à agência de notícias AFP. Os crimes investigados se enquadram como estupro de vulnerável e divulgação de cena de estupro ou de estupro de vulnerável.
“As mulheres geralmente não tinham consciência dos abusos e não guardavam nenhuma lembrança deles”, detalhou a fonte policial, sem especificar o número de vítimas. O modus operandi é similar ao caso de Gisèle Pelicot, francesa que, sob sedação, foi estuprada inúmeras vezes durante uma década pelo marido, Dominique Pelicot, e por dezenas de homens que ele conhecia na internet.
Ainda de acordo com a PF, os fatos investigados podem se enquadrar na tipificação de propagação de conteúdo misógino, pois foram identificados indícios de expressão manifesta de ódio, repulsa e objetificação da mulher pelos suspeitos.
fcl (efe, afp, ots)