15/05/2024 - 12:05
Pesquisadores da Universidade do Oregon, na costa oeste dos Estados Unidos, constataram um aumento expressivo no aparecimento dos chamados “picles do mar” nas praias e águas da região. Em monitoramentos costeiros, foram encontrados 60 mil espécimes com apenas uma rede alçada durante cinco minutos ao largo do Rio Columbia. Tais observações não eram comuns até poucos anos atrás, já que esses animais costumam viver predominantemente em águas tropicais.
Os pirossomas não são um organismo único, mas sim colônias flutuantes compostas por milhares ou até milhões de pequenos animais individuais conhecidos como zoóides. Algumas das uniões e estruturas tubulares formadas por esses espécimes podem chegar a impressionantes 18 metros de comprimento. As observações ecológicas e seus desdobramentos têm sido acompanhadas de perto pela revista The Atlantic e pela NOAA Fisheries (Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos).
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O animal é altamente bioluminescente, produzindo uma luz azul-esverdeada brilhante que pode ser vista no oceano a uma distância de até 30 metros. O espécime colonial é formado pela união contínua de zoóides que secretam uma “túnica gelatinosa” resistente em formato de tubo, o qual permanece aberto em uma das extremidades e fechado na outra. Seu movimento pela coluna d’água é coordenado por propulsão suave e direcionado pelas correntes marítimas. A alimentação do pirossoma consiste no plâncton suspenso e ocorre por meio de um eficiente sistema de filtração contínua.
Os pesquisadores confirmam que ondas quentes anormais no mar da costa oeste estadunidense alteraram profundamente os ecossistemas locais, permitindo o aparecimento e a proliferação dos pirossomas em quantidades sem precedentes em latitudes mais frias. Inclusive, cientistas passaram a utilizá-los como bioindicadores oceânicos: sua presença massiva serve como um sinal de alerta precoce (early-warning) para o avanço de correntes aquecidas e novos eventos de aquecimento marinho.
Contudo, descobertas recentes lançam luz sobre os impactos colaterais dessas explosões populacionais na teia alimentar. Apesar de servirem pontualmente como presa para certas espécies, pesquisas atualizadas revelam que os pirossomas funcionam como um “beco sem saída” nutricional. Por consumirem massivamente a base da cadeia alimentar (fitoplâncton e zooplâncton), eles retêm a energia que antes sustentava peixes de importância comercial e ecológica, como sardinhas e anchovas. Como grandes predadores — a exemplo de salmões, golfinhos e leões-marinhos — não conseguem extrair valor nutritivo suficiente dos pirossomas devido ao seu baixo teor lipídico, o ecossistema sofre uma severa escassez energética.
“Os pirossomas consomem animais na base da cadeia alimentar e retêm essa energia em uma estrutura gelatinosa de baixo valor nutritivo. Eles estão absorvendo a energia do sistema que os predadores de topo e peixes de corte necessitam urgentemente para sobreviver”, afirma Lisa Crozier, cientista do NOAA Fisheries e coautora dos estudos sobre o impacto dos pirossomas.
Por outro lado, estudos recentes no Oceano Antártico revelaram um papel inesperado dessas colônias no combate às mudanças climáticas: elas atuam como eficientes agentes da bomba biológica de carbono. Ao realizarem migrações verticais diárias descendo centenas de metros e produzirem dejetos densos que afundam rapidamente, os pirossomas transportam toneladas de carbono para o leito marinho profundo quando morrem, retirando efetivamente esse gás da atmosfera por longos períodos.
