16/02/2026 - 16:37
Presidente Karol Nawrocki defende que o país desenvolva capacidade nuclear própria. Proposta, antes rejeitada por governistas, ganha tração e apoio popular no país.O presidente da Polônia, o nacionalista Karol Nawrocki, defendeu na noite deste domingo (15/02) a possibilidade de o país desenvolver armas nucleares próprias diante da crescente ameaça militar representada pela Rússia.
Nawrocki disse ser um “grande defensor de que a Polônia se una a um projeto nuclear” para “garantir a segurança nacional diante de uma Rússia agressiva e imperial”.
“O caminho para uma capacidade nuclear polonesa, com todo o respeito às normas internacionais, é o caminho que devemos seguir”, disse em entrevista à rede polonesa Polsatnews. Ele não soube dizer quando tal programa poderia começar.
O presidente, de perfil ultraconservador, é encarregado de moldar a política externa polonesa e chefia as Forças Armadas. Questionado se temia uma reação russa a um projeto nuclear, Nawrocki argumentou que a Rússia pode “reagir agressivamente a qualquer coisa”.
A Polônia, porém, aderiu ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares em 1968 e não possui indústria de energia nuclear própria. A construção da primeira usina nuclear do país tem início previsto apenas para 2028.
Debate cresce na Polônia
Varsóvia, membro da União Europeia e da Otan, é um dos aliados militares e políticos mais próximos da Ucrânia, que se defende há quatro quase quatro anos da invasão russa.
A Polônia faz fronteira com a Ucrânia e também com Belarus, aliada de Moscou, além do exclave russo de Kaliningrado. A tensão na fronteira cresceu após drones russos entrarem no espaço aéreo polônes, no ano passado. Em abril deste ano, soldados da Otan se juntarão à Operação Escudo Oriental da Polônia, que reforçará as fronteiras do país.
O debate na Polônia sobre o eventual desenvolvimento de armamento nuclear próprio ganhou novo impulso após a Conferência de Segurança de Munique, durante a qual o chanceler federal alemão, Friedrich Merz, revelou ter iniciado conversas com o presidente francês, Emmanuel Macron, sobre a criação de uma dissuasão nuclear europeia.
Em uma pesquisa recente, quase 58% dos poloneses declararam apoiar que o país adquira suas próprias armas nucleares.
Defesa polonesa propõe cautela
O ministro da Defesa da Polônia, Wladyslaw Kosiniak‑Kamysz, reagiu com cautela à proposta, que chamou de “sensível”, mas não descartou a possibilidade de uma agenda nuclear.
Em coletiva de imprensa nesta segunda-feira, Kosiniak‑Kamysz disse ser favorável ao desenvolvimento de capacidades próprias de pesquisa e inovação, mas acredita que seria melhor agir do que falar sobre planos e intenções. Por outro lado, afirmou que o assunto é “fundamental” e “exige diligência, decisão e ação”.
Com a iniciativa, Nawrocki, apoiador do presidente americano Donald Trump, vai além de seu antecessor, Andrzej Duda. Duda defendia apenas a possibilidade de receber armas nucleares dos EUA em seu território no âmbito do acordo de compartilhamento nuclear da Otan.
Na época, porém, a Otan afirmou que não havia planos para expandir a distribuição de ogivas. Os Estados Unidos mantêm armas nucleares em vários países europeus sob esse arranjo há muitas décadas. Não há informações oficiais sobre os locais, mas acredita‑se que estejam armazenadas na Alemanha, Holanda, Bélgica, Itália e Turquia.
Tusk sinaliza apoio a projeto nuclear
O primeiro‑ministro polonês, Donald Tusk, cujo partido é opositor ao de Nawrocki, também vem mudando de postura sobre a agenda nuclear. Em 2024, o centrista classificou como “desproporcional” a possibilidade de contar com armas nucleares.
No entanto, meses atrás, afirmou ser necessário “avaliar as capacidades mais avançadas, incluindo as nucleares”. Tusk chegou a sugerir que poderia ser preferível desenvolver um “arsenal nuclear próprio” a depender de outros países.
Até agora, as reações do campo governista têm sido discretas. Segundo a rede alemã ARD, o eurodeputado Michal Szczerba, correligionário de Tusk, defendeu que a segurança polonesa é “prioridade máxima”. “Se isso for necessário para nossa segurança, então, claro, o governo decidirá junto com as Forças Armadas”, disse.
gq/ra (DPA, ARD, DW, EFE)
