17/02/2026 - 13:11
O fim de um relacionamento, na era das redes sociais, raramente é um corte definitivo. O que antes era um afastamento físico, hoje se tornou uma “vigilância digital” constante. No entanto, pesquisas recentes no campo da ciberpsicologia indicam que o hábito de monitorar a vida do ex-parceiro online não apenas prolonga o sofrimento, como atua diretamente no cérebro para impedir a recuperação emocional.
Conexões reforçadas: ao buscar informações online, o indivíduo fortalece circuitos cerebrais que precisam ser enfraquecidos para a superação.
Ciclo de dopamina: cada nova foto ou legenda encontrada gera um alívio momentâneo de controle, mas alimenta um ciclo de feedback viciante.
Impacto no crescimento: estudos associam a vigilância digital a níveis mais altos de angústia e a uma menor capacidade de crescimento pessoal pós-término.
Sistema de apego: o comportamento de busca online é uma resposta cerebral à insegurança e ao vácuo deixado pelo rompimento.
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De acordo com a psicóloga clínica Joanne Davila, da Stony Brook University, o ato de stalkear é uma tentativa equivocada do cérebro de recuperar a segurança perdida. Quando somos abandonados ou enfrentamos um término, o sistema de apego é ativado, levando-nos a buscar o que é familiar.
A ilusão do controle e a armadilha da dopamina
A professora de psicologia Michelle Drouin explica que as redes sociais são projetadas para explorar os sistemas de recompensa do cérebro. “Você vê algo novo e isso inicia um ciclo de feedback de dopamina. Parece que você tem um pouco de controle”, afirma. Essa sensação de “estar informado” sobre a vida do outro é, na verdade, semelhante ao comportamento observado em transtornos obsessivo-compulsivos: o alívio é temporário, mas a ansiedade subjacente aumenta a cada nova verificação.
Esse monitoramento impede que a pessoa processe suas emoções de forma saudável. Sob estresse, o cérebro tende a interpretar as postagens do ex de forma autodestrutiva, reforçando a dor em vez da cura.
Como quebrar o ciclo: o guia da desintoxicação emocional
Para quem deseja retomar o controle da própria vida em 2026, especialistas sugerem estratégias práticas de “higiene digital”:
A regra dos 30 dias: especialistas recomendam um afastamento total das redes sociais (ou pelo menos do perfil do ex) por um mês. Esse período funciona como uma desintoxicação química para o cérebro.
Redirecionamento ativo: sempre que sentir o impulso de verificar o perfil, substitua a ação por um estímulo físico ou social real: uma caminhada, um exercício ou uma ligação para um amigo.
Encerramento interno: não espere que o ex forneça as respostas ou o “fechamento” que você busca. O encerramento deve ser construído individualmente, aceitando que o fim do vínculo é o primeiro passo para um novo ciclo.
Reestruturação cognitiva: em vez de focar no que foi perdido, tente ver o rompimento como uma oportunidade de autoconhecimento e de busca por um relacionamento que seja, de fato, saudável e compatível com seu momento atual.
“Ao procurar seu ex online, você está fortalecendo as conexões cerebrais que deveria estar tentando enfraquecer.”
Joanne Davila, psicóloga clínica
