Fala de Gianni Infantino foi duramente criticada pelo governo da Ucrânia. País de Putin está fora das competições desde o início da guerra e não participou da Copa do Mundo 2022, no Catar.O presidente da Fifa, Gianni Infantino, sinalizou o apoio ao retorno da Rússia às competições internacionais de clubes e seleções.

O país foi banido do esporte em fevereiro de 2022 devido à Guerra na Ucrânia e ficou de fora da Copa do Mundo no Catar, realizada naquele ano, e das eliminatórias do Mundial de 2026, que será realizado conjuntamente por Estados Unidos, México e Canadá em junho e julho deste ano.

“Precisamos [avaliar a volta da Rússia], definitivamente, porque a proibição não surtiu efeito algum. Apenas criou mais frustração e ódio”, disse Infantino em entrevista à emissora Sky News na terça-feira (03/02). “Permitir que meninas e meninos da Rússia joguem futebol em outras partes da Europa ajudaria”, completou.

Desde que foi banida, a seleção masculina da Rússia vem realizando amistosos, mas não joga uma partida oficial desde a Copa do Mundo de 2018, quando o país foi sede e chegou às quartas de final da competição.

Em 2023, os dirigentes da Uefa chegaram a admitir a possibilidade de que as seleções sub-17 da Rússia fossem liberadas dessas sanções. Como argumento, os cartolas europeus afirmaram que não queriam punir os jovens pelas ações do governo de Vladimir Putin. A pressão de uma dúzia de federações nacionais, no entanto, frustrou o plano.

O comitê executivo da Uefa se reúne na próxima quarta-feira (11/02). A entidade tem o poder de reintegrar a Rússia aos torneios europeus de seleções e clubes. Porém, o presidente da Uefa, Aleksander Ceferin, condicionou a volta do país às competições ao fim da invasão da Ucrânia.

Qual foi a reação da Ucrânia?

O governo ucraniano condenou fortemente os planos de Infantino. O ministro do Esporte, Matvii Bidnyi, disse à Sky News que as declarações do presidente da entidade máxima do futebol são “irresponsáveis” e “infantis”. “Elas separam o futebol da realidade em que crianças estão sendo mortas”, criticou Bidnyi.

“A guerra é um crime, não se trata de política. É a Rússia que politiza o esporte e o usa para justificar a agressão. Compartilho a posição da Federação Ucraniana de Futebol, que também alertou sobre um possível retorno da Rússia às competições oficiais”, complementou o ministro.

Para Bidnyi, a bandeira e os símbolos nacionais russos não têm lugar entre as pessoas que respeitam valores como justiça e integridade enquanto o país “continuar matando ucranianos”.

No dia seguinte às declarações de Infantino, o exército russo retomou ataques a Kiev, encerrando uma trégua anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Como fica a situação dos atletas russos nas Olimpíadas de Inverno de 2026?

Os atletas russos só poderão competir nos Jogos Olímpicos na Itália, que começam nesta sexta-feira (06/02), como Atletas Individuais Neutros (AIN), designação especial criada pelo Comitê Olímpico Internacional (COI) para esportistas cujas nações estão suspensas ou banidas. Também foram incluídos nessas sanções os atletas de Belarus.

Mas nem todos os atletas tiveram o status de neutralidade aprovado, pois o COI estabelece exigências rigorosas para isso. Os requisitos têm como objetivo garantir que os atletas neutros não estejam vinculados às ações políticas ou militares que levaram a Rússia a ser banida dos Jogos.

A situação ficou ainda mais complicada em 2023, quando o Comitê Olímpico Russo assumiu o controle dos órgãos esportivos na Ucrânia ocupada, o que o COI considerou uma violação dos limites legais do sistema olímpico.

Nas Olimpíadas de Inverno deste ano, realizadas nas cidades de Milão e Cortina, 13 atletas russos e sete bielorrussos vão competir como AIN. Essa classificação foi utilizada pela primeira vez nos Jogos Olímpicos de Paris, em 2024, e incluiu 17 bielorrussos e 15 russos, que levaram, no total, cinco medalhas.

Nas competições anteriores, a situação foi diferente. Em 2018, nos jogos de inverno da Coreia do Sul, os russos tiveram que participar sob a classificação AOR (Atletas Olímpicos da Rússia) devido a um escândalo de doping patrocinado pelo governo do país. Os 160 atletas conquistaram 17 medalhas.

Em 2021, nos Jogos Olímpicos de Verão em Tóquio, no Japão, os atletas russos subiram ao pódio nada menos que 71 vezes, ficando em quinto lugar no quadro de medalhas – desta vez com a denominação ROC (“Comitê Olímpico Russo”, em inglês). Já em 2022, nos jogos de inverno de Pequim, foram 32 medalhas e 200 atletas participantes. Quatro dias após o fim da competição, a Rússia invadiu a Ucrânia.

Quando a Rússia poderá retornar às Olimpíadas?

Isso ainda não está claro. No entanto, a presidente do COI, Kirsty Coventry, parece estar tentando preparar o terreno para o retorno da Rússia, a julgar pelos comentários dela na Cúpula do COI, logo antes dos Jogos de Inverno na Itália.

“Não podemos agradar a todos. Os Jogos Olímpicos e os valores que eles representam são nosso maior patrimônio”, disse Coventry.

“Entendemos a política e sabemos que não atuamos em um vácuo. Mas o nosso jogo é o esporte. Isso significa manter o esporte como um terreno neutro, um lugar onde todos os atletas possam competir sem que sejam prejudicados pela política ou pelas divisões de seus governos”, completou a chefe do COI.

Embora não esteja claro se Coventry se referia unicamente à Rússia, o momento em que esses comentários foram feitos sugere uma conexão e abre as portas para um possível retorno dos atletas russos aos Jogos de Verão de 2028, em Los Angeles.