Após semanas de intensos atritos internos no Partido Liberal (PL), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro anunciaram publicamente sua reconciliação. O gesto mútuo de pedidos de desculpas visa encerrar a crise e minimizar os desgastes na pré-campanha do senador, que se intensificaram às vésperas da convenção nacional do partido neste sábado (25/07).

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O que aconteceu

  • A reconciliação de Flávio e Michelle Bolsonaro ocorre em meio a atritos internos no PL, buscando estancar a crise política.
  • A disputa havia prejudicado a pré-campanha do senador, resultando em dificuldades para alianças e aumento da rejeição feminina.
  • O conflito se originou em divergências sobre estratégias eleitorais e candidaturas no Ceará e em Santa Catarina.

A iniciativa partiu de Flávio Bolsonaro que, na quinta-feira (23/07), divulgou um vídeo com um novo pedido de desculpas. A mensagem enfatizava a necessidade de união do grupo em torno do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Michelle, renovo aqui o convite para caminharmos juntos na missão de defender o Brasil e honrar o nosso maior líder, que é Jair Messias Bolsonaro. […] Tenho a convicção de que compartilhamos o mesmo objetivo: trabalhar por um Brasil mais seguro, próspero e cheio de esperança. As portas estão abertas”, declarou o senador.

Michelle Bolsonaro, por sua vez, aceitou o pedido de desculpas e confirmou a reconciliação com o enteado em vídeo publicado nesta sexta-feira (24/07). “Quero agradecer pela sua sinceridade. Você sabe o quanto a verdade é importante para mim. Todos nós cometemos erros. Isso é humano. O seu gesto de vir a público pedir desculpas tem muito valor, e poucos homens teriam coragem de fazer isso”, afirmou a ex-primeira-dama.

O embate prejudica a pré-campanha do senador?

Mesmo com a reaproximação, a presença de Michelle na convenção nacional do PL é vista como improvável por dirigentes do partido. Em entrevista à Folha de S.Paulo, Valdemar Costa Neto, presidente do PL, reconheceu que o conflito afetou a campanha do senador. No entanto, ele avaliou que a troca de vídeos entre os dois encerra a crise.

A crise de relacionamento vinha prejudicando a estratégia do partido e a pré-campanha de Flávio Bolsonaro. Pesquisas recentes indicaram uma leve queda no desempenho eleitoral do senador, influenciada por uma elevada rejeição entre as mulheres e desgastes públicos, como sua relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Para tentar reverter o cenário e aumentar a aceitação junto ao eleitorado feminino, a pré-campanha de Flávio passou a focar em propostas específicas para esse segmento. Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal no governo Bolsonaro e apontada como possível vice na chapa do senador, coordena este trabalho.

Além dos atritos internos, o PL enfrenta dificuldades na articulação de alianças. Nesta semana, a federação União Brasil-PP confirmou neutralidade na disputa presidencial. O partido ainda tenta atrair o Republicanos, considerado vital para ampliar o tempo de propaganda eleitoral e o acesso ao fundo eleitoral.

Qual a origem da divergência entre Flávio e Michelle?

O ponto central do conflito reside em disputas internas sobre a estratégia eleitoral da legenda. Flávio Bolsonaro rejeitou a indicação de Michelle para uma candidatura ao Senado pelo Ceará. A ex-primeira-dama, por sua vez, resistiu a uma possível aliança entre o PL e o ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes no estado, posição que ia de encontro às articulações do senador.

Em outro episódio, Michelle Bolsonaro deixou a presidência do PL Mulher e manifestou dúvidas sobre uma eventual candidatura ao Senado pelo Distrito Federal. Sua saída, já que era popular entre as filiadas e apoiadoras do partido, foi interpretada como um distanciamento em relação à pré-campanha de Flávio. A ex-primeira-dama também demonstrou insatisfação com a decisão da legenda de lançar Carlos Bolsonaro para disputar uma vaga no Senado por Santa Catarina.

A tensão entre os dois atingiu seu ápice com a publicação de um vídeo nas redes sociais em junho. Nele, Michelle Bolsonaro relatou ter sido “humilhada”, “maltratada” e “desrespeitada” por Flávio durante uma conversa telefônica no fim de 2025. Segundo seu relato, o senador teria afirmado que ela deveria se afastar das decisões políticas e que “havia chegado ontem e não entendia de política”. O episódio foi amplamente repercutido, gerando uma crise pública no bolsonarismo e comentários sobre a briga política no Ceará.

Na ocasião, Flávio divulgou uma mensagem pedindo desculpas, mas negou ter tido a intenção de humilhá-la. No entanto, o gesto não foi suficiente para conter o desgaste imediato da imagem de ambos.

Da IstoÉ.