04/01/2026 - 18:15
Bloco instou libertação de presos políticos e respeito ao direito internacional para evitar escalada. Hungria, simpática a Trump, foi único membro que ficou de fora de declaração conjunta.A União Europeia (UE) afirmou neste domingo (04/01) que respeitar a vontade do povo venezuelano é a única maneira de restaurar a democracia no país sul-americano, um dia após os Estados Unidos terem capturado o presidente Nicolás Maduro em Caracas.
Em uma declaração apoiada por 26 Estados-membros — todos, exceto a Hungria —, a chefe de assuntos externos da UE, Kaja Kallas, pediu “calma e moderação por parte de todos os atores, para evitar uma escalada e garantir uma solução pacífica para a crise”.
“Respeitar a vontade do povo venezuelano continua sendo a única forma de a Venezuela restaurar a democracia e resolver a crise atual”, disse o comunicado.
Para a UE, Maduro não tem legitimidade democrática. O presidente agora derrubado é amplamente acusado de ter fraudado as eleições presidenciais de 2024 e de sufocar a oposição para se manter no poder.
Libertação de presos políticos
O texto também pediu a libertação de opositores no país sul-americano e fez um apelo por respeito ao direito internacional. “Todos os presos políticos atualmente detidos na Venezuela devem ser incondicionalmente soltos.”
Dois dias antes da captura de Maduro, a Venezuela anunciara a libertação de 88 pessoas presas por protestarem contra a contestada vitória do presidente há dois anos. A decisão foi interpretada como gesto de boa vontade do regime de Caracas num momento de forte pressão pelos EUA.
Dentro e fora da Europa, diversos governos apontaram que o lançamento de bombas pelos EUA sobre solo venezuelano e a retirada à força de Maduro e da sua esposa, Cilia Flores, violaram a lei internacional, que define quando países podem atacar uns aos outros.
Respeito à soberania
A UE ainda acrescentou que compartilha a prioridade de combater o crime organizado e o tráfico de drogas, a justificativa da Casa Branca para a captura de Maduro, acusado por crimes ligados ao “narcoterrorismo.”
Segundo o bloco europeu, tais desafios devem ser enfrentados por meio de cooperação contínua, com respeito “aos princípios de integridade territorial e soberania.”
O ataque à Venezuela deste fim de semana foi a intervenção mais direta dos EUA na América Latina desde a invasão do Panamá em 1989.
Maduro está em um centro de detenção em Nova York aguardando uma audiência prevista para segunda-feira perante um tribunal federal. O venezuelano nega envolvimento criminoso.
Merz: “Avaliação legal levará tempo”
No sábado, o chanceler federal alemão, Friedrich Merz, dissera que uma avaliação legal do ataque contra a Venezuela levará tempo. Ele alertou contra o risco de “instabilidade política” no país sul-americano, pedindo uma “transição para um governo legitimado por eleições”.
Classificando como “complexa” a justificativa americana, ele afirmou que Maduro “levou o seu país à ruína” e “desempenhou um papel problemático na região, formando alianças infelizes em todo o mundo e envolvendo a Venezuela no tráfico de drogas.”
Já o escritório diplomático da Alemanha conclamou “todas as partes envolvidas a evitar uma escalada da situação e a buscar caminhos para uma solução política.” Também defendeu o respeito ao direito internacional, afirmando que “os venezuelanos merecem um futuro pacífico e democrático.”
Aliados apoiam Trump
A representação da Hungria na UE não respondeu imediatamente a um pedido de comentário pela Reuters sobre a sua não assinatura da declaração conjunta. O governo húngaro, liderado pelo primeiro-ministro Viktor Orbán, é simpático a Trump.
Outros aliados dos EUA de Trump, como Israel e a Argentina, saíram na contramão da maioria dos países, congratulando o presidente republicano pela operação.
Já a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, disse no sábado que “considera legítima a intervenção defensiva contra ataques híbridos à segurança (dos EUA), como no caso de entidades estatais que fomentam e promovem o tráfico de drogas”. Ela ressaltou, entretanto, que “ação militar externa não é o caminho para terminar regimes totalitários”.
ht (Reuters, AFP, dpa)
