Cientistas da Nasa acreditam que formações rochosas podem revelar se houve vida no planeta vermelho; missão de resgate do material é prevista para voltar à Terra a partir de 2035.Uma descoberta geológica em Marte mais uma vez despertou a curiosidade da comunidade científica. Ao vasculhar a cratera Jezero em busca de sinais de vida microbiana passada, o rover Perseverance, da Nasa, deparou-se com uma rocha de textura incomum, apelidada de “Baía de São Paulo”.

Um rover é um veículo robótico projetado para explorar a superfície de outros planetas, luas ou asteroides. Ele é controlado remotamente por cientistas na Terra e equipado com câmeras, sensores e instrumentos científicos para coletar dados e realizar experimentos.

Na superfície da rocha encontrada, foi possível ver centenas de pequenas esferas cinza-escuras, algumas com pequenos orifícios e outras com formas alongadas ou fraturadas, como bolhas de pedra parcialmente estouradas. Alguns jornais compararam a formação com a aparência de jabuticabas.

A descoberta aconteceu em 11 de março, quando o rover estava explorando um afloramento rochoso de mais de 101 metros localizado na borda da cratera Jezero, um antigo leito de lago que o Perseverance vem explorando desde 2021, de acordo com o Space.com e a Nasa.

“Que peculiaridade da geologia poderia produzir essas formas estranhas?”, pergunta a equipe de cientistas em um comunicado oficial da Nasa.

Essa não é a primeira vez que formações esféricas são encontradas em Marte. Em 2004, o rover Opportunity descobriu os chamados “mirtilos marcianos” e, mais tarde, o Curiosity encontrou estruturas semelhantes. O próprio Perseverance já havia observado texturas parecidas com pipocas em rochas sedimentares.

Teorias geológicas: água, vulcões ou impactos de meteoritos

Há várias hipóteses para a origem das formações rochosas. Umas delas é de que tenham surgido a partir da interação com a água subterrânea que flui através dos poros das rochas, como foi interpretado em casos anteriores. Também cogita-se que tenham se originado de processos vulcânicos, como o resfriamento rápido de gotículas de rocha derretida durante uma erupção, ou até mesmo de impactos de meteoritos que causaram a condensação de rochas vaporizadas.

A investigação é ainda mais complicada porque a “Baía de São Paulo” é o que os geólogos chamam de “rocha flutuante” – não está em seu local original. A equipe do Perseverance agora trabalha para encontrar pistas que ajudem a determinar sua origem.

O futuro das amostras marcianas

A descoberta faz parte de uma missão maior, na qual o Perseverance coletou várias amostras, incluindo uma com manchas parecidas com as de um leopardo, que podem indicar atividade microbiana antiga. Essas amostras estão armazenadas em 30 tubos do tamanho de charutos, esperando para serem analisadas assim que a missão da Nasa retornar à Terra.

Conforme anunciado pelo ex-administrador da Nasa Bill Nelson no início deste ano, a agência está considerando dois planos alternativos para a missão de retorno de amostras. Cada plano exigiria a liberação, pelo Congresso, de 300 milhões de dólares (R$ 1,7 bilhão) para iniciar o processo de lançamento em 2030, com previsão de retorno da amostra entre 2035 e 2039.

Entender a origem dessas formações esféricas poderia revelar informações cruciais sobre a história geológica não apenas da Cratera Jezero, mas de Marte em geral, acrescentando novas peças ao quebra-cabeça da evolução do planeta vermelho. A cada rocha peculiar que o Perseverance analisa sob suas lentes científicas, chegamos um passo mais perto de responder à grande pergunta que ecoa no vazio interplanetário: existiu vida no planeta vermelho?

sf (DW)