09/01/2026 - 7:31
Esta é a segunda vez que arma com dez vezes a velocidade do som é usada. Moscou disse que ataque foi retaliação a alegada investida ucraniana contra casa de Putin.Moscou afirma ter lançado o míssil hipersônico Oreshnik contra a Ucrânia durante a madrugada desta sexta-feira (09/01) e alega ter agido em retaliação ao que classificou como uma tentativa ucraniana de atacar uma das residências do presidente russo, Vladimir Putin , no fim de dezembro. Kiev rejeita a alegação , também desacreditada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump .
A Ucrânia confirmou o ataque, afirmando que ocorreu no oeste do país, perto da fronteira com a União Europeia.
Trata-se da segunda vez que a Rússia emprega o Oreshnik , míssil de alcance intermediário que Putin afirma ser impossível de interceptar devido à velocidade superior a dez vezes a do som e capaz de transportar ogivas nucleares. O líder russo afirma que o poder destrutivo do míssil é comparável ao de uma arma nuclear, mesmo quando equipado com uma ogiva convencional, como foi o caso desta sexta.
O Oreshnik foi lançado pela primeira vez para atingir a cidade de Dnipro, na região central do país, em novembro de 2024., sob a justificativa de destruir uma fábrica militar na Ucrânia . Fontes ucranianas disseram na época que o míssil carregava ogivas falsas e causou poucos danos.
O Ministério da Defesa da Rússia declarou que o alvo desta sexta foi uma infraestrutura crítica na Ucrânia, incluindo uma fábrica de drones supostamente envolvida na alegada tentativa de ataque à residência presidencial russa, além de instalações energéticas. Moscou disse ainda ter empregado drones de ataque e armas de longo alcance lançadas por terra e mar, afirmando que “todos os alvos foram atingidos”.
O episódio intensifica a deterioração das relações entre Moscou e Washington, após a Rússia criticar a apreensão de um petroleiro russo no Atlântico Norte pelos EUA – enquanto Trump dá sinais de apoio a um pacote robusto de sanções contra Moscou.
Ataque deixou mortos e destruiu estruturas
O governador da região de Lviv, Maksym Kozytskyi, disse que uma instalação crítica foi atacada, e veículos de imprensa locais apontaram um depósito subterrâneo de gás em Stryi como alvo provável.
Em Kiev, capital ucraniana, o ataque deixou quatro mortos e ao menos 22 feridos, segundo autoridades locais. Entre as vítimas está um socorrista, e outros cinco agentes de resgate ficaram feridos durante operações.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski , pediu uma reação rápida da comunidade internacional após o ataque.
“É necessária uma reação clara do mundo. Acima de tudo, dos Estados Unidos, cujos sinais a Rússia realmente leva em consideração”, disse Zelensky nas redes sociais. “A Rússia deve receber sinais de que é sua obrigação se concentrar na diplomacia e deve sentir as consequências toda vez que voltar a se concentrar em assassinatos e na destruição de infraestrutura”, prosseguiu.
O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, afirmou que o país buscará ações internacionais imediatas, incluindo reuniões urgentes do Conselho de Segurança da ONU e do Conselho Ucrânia–Otan. Ele classificou o ataque, próximo às fronteiras da União Europeia e da Otan , como “grave ameaça à segurança europeia”.
Diversos bairros de Kiev sofreram danos: um drone caiu sobre o telhado de um prédio residencial, outro atingiu os dois primeiros andares de um edifício, e o fornecimento de água e energia foi interrompido em algumas áreas da cidade, segundo o prefeito, Vitali Klitschko.
O ataque ocorreu horas após Zelenski ter alertado o país sobre a possibilidade de uma ofensiva russa em grande escala, aproveitando o clima gelado e as ruas escorregadias.
A Força Aérea da Ucrânia relatou que a Rússia lançou 242 drones e 36 mísseis de diferentes tipos na ofensiva.
sf/md (Reuters, AFP)
