02/03/2026 - 13:57
Um estudo publicado em fevereiro no arXiv – arquivo na internet para preprints eletrônicos de artigos científicos nos campos da matemática, física, ciência da computação, biologia quantitativa e estatística – revelou informações importantes sobre uma das 274 luas de Saturno. O cientista e autor principal do estudo, Matija Ćuk, do Instituto Seti, em Mountain View, na Califórnia, foi um dos responsáveis por elucidar o mistério que pode revelar a origem dos anéis do planeta.
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Denominada Titã, a lua é maior que Mercúrio e tem cerca de metade do tamanho da Terra. Ela está se distanciando de Saturno a uma velocidade de 11 centímetros por ano e, embora pareça lenta, essa taxa foi considerada mais intensa do que os astrônomos haviam estimado anteriormente. Sua massa é tão significativa que sua força gravitacional consegue oscilar e inclinar Saturno.
A instabilidade da órbita de Titã é apenas mais um dos mistérios que os especialistas tentam resolver. Esses questionamentos surgiram a partir de dados coletados pela sonda espacial Cassini, responsável por explorar o sistema saturniano entre 2004 e 2017.
“Neste artigo, tentei reunir todas essas informações e proponho que existiu uma lua extra há cerca de meio bilhão de anos que colidiu com Titã e que, na verdade, acabou se tornando parte dela”, afirmou Ćuk.
Possível origem dos anéis de Saturno
A fusão de Titã com essa lua perdida pode ter provocado a formação dos anéis de Saturno. “A partir desse evento, Titã pode ter perturbado algumas das luas internas, provocando novas colisões, o que teria criado os anéis algum tempo depois, talvez há cerca de 100 milhões de anos”, explicou o pesquisador.
Os responsáveis pelo estudo também encontraram indícios de outra colisão antiga relacionada à inclinação de Saturno. O planeta gira em um ângulo de 26,7 graus em relação à órbita do Sol.
Na época da operação da Cassini, acreditava-se que as “perturbações” gravitacionais causadas pela órbita de Netuno eram as verdadeiras responsáveis pela inclinação de Saturno ao longo do tempo.
Ćuk afirmou que a órbita de Netuno apresenta uma pequena oscilação no espaço e que “as órbitas dos planetas são enormes e possuem uma quantidade imensa de energia. Mas a rotação dos planetas é muito menor; portanto, quando se conectam esses dois movimentos — a órbita de Netuno e a rotação de Saturno — é a rotação de Saturno que acaba sendo alterada”.
A evolução das luas no sistema saturniano e a origem dos anéis ainda são mistérios para os especialistas. Linda Spilker, pesquisadora sênior e cientista planetária do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, explicou que os anéis podem ter apenas algumas centenas de milhões de anos ou podem ter se formado ao mesmo tempo que Saturno.
