04/05/2026 - 13:00
Dois novos estudos publicados na revista científica “Astronomy & Astrophysics” indicam que o Sol pode ter se deslocado significativamente de seu local de origem. De acordo com o astrônomo Daisuke Taniguchi, da Universidade Metropolitana de Tóquio e coautor das pesquisas, o astro nasceu há 4,6 bilhões de anos em uma região próxima ao centro da Via Láctea, migrando posteriormente para as áreas externas onde se encontra atualmente.
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A composição química do Sol sustenta essa tese. As regiões internas da galáxia acumularam metais pesados de forma mais acelerada que as bordas. Por esse critério, uma estrela com a idade e os elementos químicos do Sol não teria condições de ter se formado em sua posição atual.
A análise demonstra a existência de uma estrutura em forma de barra no centro da Via Láctea, composta por gás, poeira e milhões de estrelas. Essa formação gera a chamada barreira de corrotação, um efeito gravitacional que costuma dificultar o deslocamento de estrelas das regiões internas para as externas.
Modelos computacionais anteriores indicavam que apenas 1% das estrelas originadas no berçário solar conseguiriam romper essa barreira ao longo de bilhões de anos. Contudo, a equipe de Taniguchi identificou milhares de “gêmeas solares” que realizaram o mesmo percurso.
Novos estudos trazem outra visão
Por meio de dados fornecidos pelo satélite Gaia, da ESA (Agência Espacial Europeia), os pesquisadores localizaram 6.594 estrelas com características semelhantes às do Sol a aproximadamente 1.000 anos-luz da Terra. A análise identificou dois picos geracionais distintos:
- Um agrupamento estreito de estrelas com cerca de dois bilhões de anos;
- E outro grande e massivo grupo de estrelas com idades entre quatro e seis bilhões de anos, que incluía o Sol.
Segundo os cientistas, a barreira de corrotação não impediu a migração solar porque ainda não estava plenamente formada há 4,6 bilhões de anos. Em vez de conter o avanço, a barra galáctica em desenvolvimento pode ter favorecido o deslocamento. Forças gravitacionais combinadas da estrutura da Via Láctea e interações com a Galáxia Anã de Sagitário teriam “empurrado” o Sol para sua localização atual.
“Os astrônomos sabem que o local de nascimento do Sol fica mais próximo do núcleo galáctico do que sua posição atual”, afirma Taniguchi.
