04/01/2026 - 13:33
Vítima mais jovem tinha 14 anos, e outros mortos permanecem sem identificação. Donos do bar que pegou fogo são alvo de investigação criminal.Centenas de pessoas marcharam em procissão neste domingo (04/01) para lembrar as vítimas do incêndio num bar da estação de esqui de Crans-Montana, na Suíça, e homenagear os serviços de resgate. A tragédia deixou 40 mortos e 119 pessoas gravemente feridas na última noite de Ano Novo.
Em silêncio, uma multidão de centenas de pessoas subiu uma montanha desde a capela de Saint-Christophe, onde ocorrera uma cerimônia ecumênica, até a frente do bar Le Constellation, palco do acidente.
Houve, então, um prolongado e emocionado aplauso para os socorristas, elogiados por residentes pela rapidez no atendimento ao bar em chamas. Alguns deles estavam às lágrimas durante a homenagem.
“É inimaginável o que eles fizeram e viram”, disse Bruno Huggler, diretor de turismo de Crans-Montana. “Agora é muito importante cuidar deles.”
Enquanto o turismo de inverno não parou por completo, a cidade silenciou o clima de festa em respeito às vítimas. Shows foram cancelados e o resort local interrompeu a música nos bares localizados à beira das pistas de esqui.
Vítimas jovens
A vítima mais nova registrada até agora era uma adolescente suíça de 14. Outros vários tinham entre 16 e 18 anos. Dentre os que escaparam com ferimentos, a maioria tem queimaduras graves e extensas.
“(Viemos para) estar junto com as pessoas que estão sofrendo, que perderam alguém da família, filhos ou amigos,” disse Charlotte Schmacher, de 76 anos, que participou da procissão. “Eu conheço pessoas que perderam netos.”
Durante a missa, o reverendo Gilles Cavin referiu-se à “terrível incerteza” das famílias que ainda não sabem se os seus parentes estão entre os mortos ou feridos.
A identificação das vítimas, de várias nacionalidades dentro e fora da Europa, foi um dos desafios para as autoridades, enquanto hospitais de diversos países recebiam os feridos. Até a tarde de domingo, 24 mortos haviam sido identificados, mas não tiveram seus nomes divulgados.
A polícia suíça alertou que poderia levar dias ou até semanas para identificar todas as vítimas.
Investigação criminal
As autoridades suíças abriram uma investigação criminal, e os proprietários do bar podem ser acusados de homicídio involuntário. O casal francês, Jacques e Jessica Moretti, já foi ouvido, apontam registros consultados pela AFP.
Investigações preliminares apontam que o fogo pode ter se espalhado quando velas de faísca — também conhecidas no Brasil como velas de vulcão ou cascata — colocadas em garrafas de champagne chegaram perto do teto do bar.
Espumas de isolamento acústico podem ter contribuído para que as chamas se espalhassem rapidamente, ainda segundo autoridades.
A moradora de Crans-Montana Paola Ponti Greppi, de 80 anos, defendeu mais verificações de segurança nos bares locais. “Por que a prefeitura não checou apropriadamente? Para mim, isso é terrível.”
O governo do cantão de Valais disse que houve um flashover no bar, “resultando em uma ou mais explosões”. O fenômeno ocorre quando quase todas as superfícies de um ambiente atingem simultaneamente a temperatura de ignição, fazendo com que o fogo se propague de forma súbita e generalizada.
ht (Reuters, AFP, Lusa)