A preservação da memória histórica de um dos períodos mais sombrios da humanidade ganhou um aliado tecnológico fundamental. Na cidade alemã de Essen, o projeto Holo Voices permite que visitantes e estudantes mantenham um diálogo direto com sobreviventes do Holocausto por meio de hologramas interativos. Entre as vozes preservadas está a de Inge Auerbacher, de 91 anos, que aos 7 anos de idade foi deportada com seus pais para o gueto de Theresienstadt, em 1942.

  • Testemunho exaustivo: Inge respondeu a mais de 1.000 perguntas sobre sua vida para alimentar a base de dados do projeto.

  • IA de precisão: diferente das ferramentas generativas, a tecnologia utilizada busca respostas reais gravadas, sem alterar o conteúdo original.

  • Expansão: dois sobreviventes já possuem versões digitais interativas e um terceiro está em fase de desenvolvimento.

  • Foco educativo: a iniciativa visa aproximar as gerações mais jovens da história alemã através de uma experiência de “contato pessoal”.

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A Tecnologia por trás da Memória

O projeto é uma parceria coordenada pela Universidade Técnica de Dortmund. Manfred Bayer, reitor da instituição, explica que a experiência foi desenhada para ser o mais próximo possível de um encontro presencial. O sistema utiliza um monitor que projeta a imagem em camadas, conferindo profundidade ao testemunho de Inge Auerbacher.

O grande diferencial do Holo Voices reside na integridade da informação. Os pesquisadores optaram por não utilizar IA generativa — que poderia “alucinar” ou criar diálogos fictícios — mas sim um algoritmo de busca avançada que localiza a resposta exata dada pelo sobrevivente durante o processo de gravação.

“Não há IA generativa que invente respostas. A tecnologia procura a melhor resposta possível para a pergunta, que é reproduzida fielmente, sem qualquer alteração.”

Manfred Bayer, Reitor da Universidade Técnica de Dortmund

Educação e combate ao esquecimento

Com o passar das décadas, o número de testemunhas oculares do nazismo diminui, tornando urgente o uso de ferramentas que garantam a continuidade dessas vozes. O diálogo direto pretende humanizar estatísticas e incentivar a reflexão crítica. Após a libertação e sua emigração para Nova York, Inge Auerbacher dedicou-se a compartilhar sua história, deixando uma lição de empatia para o futuro.

“Aprendam com outras pessoas que não se parecem com vocês, leiam livros, assistam a filmes, pensem um pouco”, aconselha Inge Auerbacher em seu registro digital. O projeto reafirma que a tecnologia, quando bem aplicada, não substitui o humano, mas amplia o alcance de sua verdade histórica para as próximas gerações.