Uma pesquisa liderada por Dayi Li, pesquisador da Universidade de Toronto, revelou a existência de uma galáxia praticamente invisível no universo. Identificada com o auxílio do telescópio Hubble, da Nasa, a estrutura denominada Candidata a Galáxia Escura-2 (CDG-2) é composta quase inteiramente por matéria escura — substância que desafia a compreensão da física moderna por não emitir luz ou energia.

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Localizada no Aglomerado de Perseu, a cerca de 300 milhões de anos-luz do planeta Terra, a CDG-2 leva ao limite o conceito de galáxia escura. Diferente da Via Láctea, onde a matéria visível é abundante, este sistema pertence à categoria de baixo brilho superficial. A descoberta reforça a tese de que o universo pode abrigar sistemas muito mais fracos e difíceis de detectar do que a ciência supunha anteriormente.

Como a CDG-2 foi identificada

A detecção da CDG-2 demandou um esforço conjunto entre o Hubble, o telescópio Euclid, da Agência Espacial Europeia (ESA), e o telescópio Subaru, instalado no Havaí. A estratégia central dos cientistas consistiu na busca por aglomerados globulares — grupos densos de estrelas que, ao contrário do restante da galáxia, emitem brilho suficiente para serem captados.

Como a CDG-2 possui uma quantidade ínfima de estrelas, os pesquisadores notaram que algo invisível fornecia a força gravitacional necessária para manter esses aglomerados coesos. A estimativa de Dayi Li e sua equipe é de que essa massa seja proveniente da matéria escura.

A explicação para a natureza exótica da CDG-2 reside em sua história evolutiva. Segundo Dayi Li, após a formação dos aglomerados iniciais, a galáxia teve seu gás hidrogênio — combustível para a criação de estrelas como o Sol — extraído por sistemas vizinhos de maior porte.

“O material de que essa galáxia precisava para continuar formando estrelas já não estava mais lá, então restou basicamente apenas um halo de matéria escura e os quatro aglomerados globulares. O processo deixaria para trás o esqueleto ou fantasma de uma galáxia que basicamente fracassou.”

O estudo evidencia como a interação entre grandes estruturas cósmicas pode interromper o ciclo de vida de galáxias menores, deixando para trás apenas rastros gravitacionais do que um dia poderiam ter sido sistemas estelares complexos.