17/01/2026 - 12:36
Alerta vem após imprensa americana noticiar que Pentágono enviou armas e equipamentos de defesa ao Oriente Médio. Trump ameaçou retaliar o Irã caso país execute manifestantes antirregime.Em meio à escalada de tensões entre Irã e Estados Unidos e o deslocamento recente do porta-aviões americano Abraham Lincoln , a Agência Europeia para a Segurança da Aviação (AESA) pediu a companhias áreas nesta sexta-feira (16/01) que evitem transitar pelo espaço aéreo iraniano por pelo menos um mês.
O órgão da União Europeia de controle da aviação justificou o alerta diante da prontidão das defesas aéreas diante da “possibilidade de uma ação militar dos Estados Unidos”, o que pode levá-las a identificar erroneamente aeronaves civis como alvos militares.
“A presença e o possível uso de uma ampla variedade de armas e sistemas de defesa aérea, combinados com respostas estatais imprevisíveis e o potencial de ativação de sistemas SAM [mísseis terra-ar], cria um alto risco para voos civis operando em todas as altitudes e níveis de voo”, afirma a AESA.
O órgão diz ainda ver risco de ataques a outros países no Oriente Médio que abriguem bases militares americanas, caso os EUA venham de fato a intervir no Irã.
Na Alemanha, autoridades já haviam emitido recomendação semelhante, válida até 10 de fevereiro.
EUA reforçam presença militar no Oriente Médio
Na quinta-feira, o jornal americano The New York Times informou que o Pentágono enviou armas e equipamentos de defesa ao Oriente Médio – entre eles o porta-aviões Abraham Lincoln.
O presidente americano Donald Trump tem ameaçado retaliar o Irã com “uma ação contundente” caso optasse por executar manifestantes detidos nos protestos em massa contra o governo autoritário do aiatolá Ali Khamenei. Os protestos foram deflagrados no final de dezembro e terminaram com milhares de mortos.
Posteriormente, Trump acabou moderando a retórica, alegando ter sido informado de que a “matança” no país persa havia diminuído, e agradeceu à liderança iraniana por cancelar execuções planejadas.
Nos bastidores, interlocutores de Trump no Oriente Médio têm atuado para dissuadi-lo de um ataque contra o Irã.
Irã culpa Trump por protestos que deixaram milhares de mortos
Neste sábado (17/01), o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, culpou Trump pelos protestos e mortes. “Não vamos arrastar o país para a guerra, mas não vamos deixar criminosos domésticos ou internacionais sem punição”, disse, em declaração reproduzida pela imprensa estatal.
O governo iraniano atribui a violência nos protestos a manifestantes armados, classificando-os como “terroristas” arregimentados pelos Estados Unidos, e alega que Trump incitou os “insurgentes” pessoalmente. “Consideramos o presidente americano criminoso pelas mortes, danos e calúnias infligidas à nação iraniana”, afirmou Khamenei. “Aqueles ligados a Israel e aos EUA causaram danos massivos e assassinaram várias milhares de pessoas.”
Os protestos no Irã deixaram ao menos 3.090 mortos, sendo 2.885 manifestantes, e mais de 22 mil detidos, segundo contagem do grupo Ativistas de Direitos Humanos no Irã, sediado nos Estados Unidos.
ra (AFP, dpa, ots)