Grupo espalhou notícias falsas sobre sexualidade e gênero da primeira-dama francesa. Diferença de idade entre ela e o marido, o presidente francês Emmanuel Macron, também gerou falsos comentários sobre pedofilia.Um tribunal de Paris condenou nesta segunda-feira (05/01) dez pessoas acusadas de assédio online contra a primeira-dama da França, Brigitte Macron.

Os réus – oito homens e duas mulheres com idades entre 41 e 65 anos – foram acusados de terem publicado inúmeros comentários alegando falsamente que a esposa do presidente francês, Emmanuel Macron, teria nascido homem, e comparando a diferença de idade de 24 anos entre eles à pedofilia. Algumas das postagens nas redes sociais foram visualizadas dezenas de milhares de vezes.

O juiz Thierry Donard destacou comentários “particularmente degradantes, insultuosos e maliciosos” referentes a alegações falsas que sugeriam que Brigitte Macron seria transgênero e pedófila.

“As publicações repetidas tiveram efeitos nocivos cumulativos”, concluiu, acrescentando que os acusados agiram com a intenção de causar danos à primeira-dama.

Um dos réus foi condenado a seis meses de prisão, enquanto oito deles receberam penas suspensas de entre quatro e oito meses. Todos os dez serão obrigados a participar de um treinamento de conscientização sobre cyberbullying.

Anos de alegações falsas

Brigitte Macron não compareceu ao julgamento de dois dias, realizado em outubro. Neste domingo, ela disse que iniciou o processo judicial para “dar um exemplo” na luta contra o assédio online.

O relacionamento entre Brigitte, de 72 anos, e o presidente francês, Emmanuel Macron, de 48 anos, gerou amplo interesse desde que ele chegou ao poder, em 2017.

O caso surgiu após anos de teorias da conspiração que alegavam falsamente que Brigitte Macron nasceu com o nome de Jean-Michel Trogneux, que na verdade é o nome de seu irmão. O casal Macron também entrou com um processo por difamação nos Estados Unidos contra a influenciadora conservadora Candace Owens.

Casados desde 2007, eles se conheceram quando ela era professora de teatro na escola jesuíta onde ele estudava, na cidade de Amiens. Na época, ela se chamava Brigitte Auzière, era casada e mãe de três filhos.

Seu advogado, Jean Ennochi, disse nesta segunda-feira que “o importante é que haja treinamentos imediatos de conscientização sobre o cyberbullying e, para alguns dos réus, a proibição do uso de suas contas nas redes sociais”.

Uma das filhas de Brigitte, Tiphaine Auzière, testemunhou durante o julgamento sobre o que descreveu como a “deterioração” da vida de sua mãe desde que o assédio online se intensificou.

“Ela não consegue ignorar as coisas horríveis que foram ditas sobre ela”, disse Auzière, de 41 anos, ao tribunal. Ela afirmou que o impacto se estendeu a toda a família, incluindo os netos da primeira-dama.

Réus disseram ter intenções “satíricas”

As autoridades judiciais francesas não divulgaram os nomes dos réus, mas alguns deles se revelaram ao se manifestarem publicamente.

Durante o julgamento, vários deles disseram ao tribunal que seus comentários tinham a intenção de serem humorísticos ou satíricos e afirmaram não entender por que estavam sendo processados.

Um dos réus mais proeminentes, o galerista Bertrand Scholler, de 56 anos, disse que o julgamento visava sua “liberdade de pensar”. O tribunal o condenou a seis meses de prisão suspensa e à suspensão imediata de seus perfis nas redes sociais também por seis meses.

Uma das mulheres julgadas, que já havia sido alvo de uma queixa por difamação apresentada por Brigitte Macron em 2022, era Delphine J., 51 de anos, uma autodenominada médium espiritual e escritora que usa o pseudônimo Amandine Roy.

Ela é considerada a principal responsável pela disseminação dos boatos sobre Brigitte Macron após publicar um vídeo de quatro horas em seu canal do YouTube em 2021, e foi condenada a seis meses de prisão.

Outro réu era Aurelien Poirson-Atlan, de 41 anos, conhecido nas redes sociais como Zoe Sagan e frequentemente associado a círculos de teorias da conspiração. Ele recebeu uma sentença suspensa de oito meses e teve seus perfis nas redes sociais bloqueados por seis meses. Em outubro, no tribunal, ele defendeu seu direito ao que chamou de “sátira”.

O único réu que não foi condenado à prisão foi um professor, que pediu desculpas durante o julgamento. Ele, no entanto, terá que participar do treinamento de conscientização sobre cyberbullying.

Todos os dez réus também foram condenados a pagar conjuntamente 10.000 euros (R$ 63 mil) em indenizações por danos morais a Brigitte Macron.

rc/le (AFP, AP)