13/01/2026 - 7:40
Tarifaço vem na esteira dos protestos contra o regime dos aiatolás, duramente reprimidos, e afeta também o Brasil. China afirma que tomará medidas para “salvaguardar seus interesses”.O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira (12/01) que qualquer país que fizer negócios com o Irã enfrentará uma tarifa de 25% sobre as transações comerciais com os EUA.
Trump já havia ameaçado atacar o Irã devido à repressão violenta dos protestos contra o regime islâmico.
“Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará tarifas de 25% sobre qualquer transação que realize com os Estados Unidos. Essa ordem é definitiva e conclusiva”, afirmou Trump em sua rede social.
Os principais parceiros comerciais do Irã são China, Turquia , Emirados Árabes Unidos e Iraque, de acordo com o banco de dados econômico Trading Economics.
O Brasil é o principal parceiro no intercâmbio de produtos agrícolas e fertilizantes.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio brasileiro, a corrente de comércio entre os dois países foi de 3 bilhões de dólares em 2025, sendo 2,8 bilhões de dólares de superávit para o Brasil, graças à venda de produtos agropecuários como milho, soja, carne bovina e aves.
O Brasil tem interesse na importação de produtos iranianos que complementam sua cadeia produtiva, como fertilizantes.
Desde 2024, o Irã faz parte do Brics , o bloco de articulação política e econômica fundado por Brasil, China, Rússia, Índia e África do Sul e que conta agora também com Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Arábia Saudita, Egito e Indonésia.
Os governos dos países potencialmente afetados aguardam a publicação de uma ordem oficial da Casa Branca sobre as tarifas.
Em resposta à declaração de Trump, a China afirmou que se opõe a “quaisquer sanções unilaterais ilícitas e jurisdição extraterritorial e tomará todas as medidas necessárias para salvaguardar seus direitos e interesses legítimos”.
Repressão e mortes no Irã
O Irã, que travou uma guerra de 12 dias com Israel, aliado dos EUA, no ano passado, e cujas instalações nucleares foram bombardeadas pelas Forças Armadas americanas em junho, enfrenta agora um dos maiores desafios desde 1979, quando a Revolução Islâmica derrubou o xá.
Os protestos se espalharam pelo país mesmo com bloqueio da internet. Desencadeado por queixas econômicas, o movimento voltou-se contra a República Islâmica e o aiatolá Ali Khamenei .
A ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, disse ter confirmado 648 mortos durante os protestos, incluindo nove menores, mas alertou que esse número provavelmente é muito maior – segundo algumas estimativas, mais de 6 mil.
O bloqueio da internet torna difícil verificar essas informações de forma independente, afirmou a IHR, acrescentando que cerca de 10 mil pessoas foram presas.
Ameaça militar dos EUA
Trump afirmou que os EUA podem se reunir com autoridades iranianas e que está em contato com a oposição do país, ao mesmo tempo em que pressiona seus líderes, inclusive com ameaças de ação militar.
A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse a repórteres na segunda que ataques aéreos estavam entre as “muitas, muitas opções” que Trump estava considerando, mas que a diplomacia é sempre a primeira opção.
Teerã afirmou que mantinha os canais de comunicação com Washington abertos. Segundo o portal de notícias americano Axios, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, entrou em contato com o enviado especial de Trump para o Oriente Médio e a Ucrânia, Steve Witkoff, no fim de semana passado, com a aparente intenção de reduzir a tensão com Washington.
Araghchi disse numa conferência de embaixadores estrangeiros em Teerã que o Irã “não está buscando a guerra, mas está totalmente preparado para ela”, e pediu negociações justas.
Reza Pahlavi , filho do xá deposto do Irã que vive nos Estados Unidos e tem se manifestado abertamente a favor dos protestos, disse à emissora CBS News que o regime está “tentando enganar o mundo, fazendo-o acreditar que está pronto para negociar mais uma vez”.
Merz: últimos dias do regime iraniano
O chanceler federal alemão, Friedrich Merz , disse nesta terça-feira que o regime do Irã está vivendo seus últimos dias, à medida que aumenta a pressão sobre a República Islâmica devido aos protestos.
“Quando um regime só consegue se manter no poder por meio da violência, então ele está efetivamente acabado”, disse Merz a repórteres em Bengaluru, durante uma visita à Índia. “Acredito que estamos testemunhando os últimos dias e semanas desse regime.”
sf/as (AP, AFP, Efe, ots)
