06/02/2026 - 14:23
Vídeo mostra o ex-presidente democrata Barack Obama ao lado da mulher, Michelle, em corpos de macacos. Criticada, Casa Branca primeiro disse se tratar de um meme, mas depois recuou e apagou a postagem.O presidente dos EUA, Donald Trump, publicou na madrugada de sexta-feira (06/02) um vídeo com teor racista que retrata o ex-presidente americano Barack Obama e a ex-primeira dama Michelle Obama como macacos, seus rostos sobrepostos a imagens de primatas.
A imagem de dois segundos aparece ao final de um vídeo de cerca de um minuto, com teorias da conspiração que repercutem denúncias não comprovadas de fraude nas eleições de 2020, quando Trump perdeu a disputa para o ex-presidente democrata Joe Biden.
O vídeo retrata Trump como o “rei da selva” e outros democratas como animais. Biden também aparece como um primata comendo uma banana.
Ele foi publicado em meio a 60 posts compartilhados na conta do presidente americano em apenas três horas. Boa parte deles contém acusações já desmentidas sobre a contagem de votos em estados decisivos daquele pleito. Dezenas de tribunais no país não encontraram evidências de fraude eleitoral.
A postagem foi feita em pleno Mês da História Negra, celebrada nos Estados Unidos em fevereiro.
Reação
A publicação gerou reação imediata, inclusive de aliados. O líder dos democratas na Câmara de Representantes dos EUA, Hakeem Jeffries, fez duras críticas ao presidente. “Todos os republicanos devem denunciar imediatamente o fanatismo repugnante de Donald Trump”, defendeu.
O gabinete do governador da Califórnia, Gavin Newsom, crítico de Trump e potencial candidato democrata à Casa Branca em 2028, chamou o episódio de “repugnante”. Ben Rhodes, ex-assessor de segurança nacional e aliado próximo de Obama, também criticou as imagens, afirmando que Trump será lembrado como “uma mancha na nossa história”.
“É a coisa mais racista que já vi sair desta Casa Branca. O presidente deveria removê-la”, disse o senador republicano Tim Scott, único senador negro do partido.
A postagem de Trump também foi criticada pelo presidente da Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor (NAACP), Derrick Johnson, que acusou o republicano de tentar distrair a opinião pública das investigações sobre o criminoso sexual Jeffrey Epstein.
“Sabe quem não está nos arquivos Epstein? Barack Obama”, disse Johnson, aludindo ao nome de diversos famosos e poderosos citados nos arquivos do caso, inclusive o próprio Trump.
Casa Branca minimizou o episódio, mas depois recuou
A princípio, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, minimizou as reações. “Isso é de um vídeo de meme da internet que retrata o presidente Trump como o Rei da Selva e os democratas como personagens de O Rei Leão”, disse Leavitt, referindo-se ao filme da Disney de 1994. “Por favor, parem com a falsa indignação e noticiem hoje algo que realmente importe para o público americano.”
Horas depois, contudo, a Casa Branca recuou, afirmando que a postagem havia sido feita por engano por um membro da equipe de Trump. O conteúdo foi deletado das redes sociais do presidente.
“Um funcionário da Casa Branca postou por engano. Já foi removido”, disse uma fonte interna à agência de notícias AFP.
Trump acumula histórico de críticas a Obama
Trump também tem um longo histórico de críticas pessoais aos Obama e de uso de retórica considerada por críticos como racista.
Quando Obama estava na Casa Branca, Trump promoveu falsas alegações de que o único presidente negro dos EUA não seria americano nato, e sim natural Quênia, motivo pelo qual seria inelegível. Obama acabou divulgando seus registros de nascimento no Havaí.
Em seu segundo mandato, Trump aumentou significativamente o uso de imagens hiper-realistas geradas por IA em suas redes, muitas vezes o retratando de forma grandiosa e ridicularizando adversários. Um dos vídeos recentes – criado pelo mesmo usuário que produziu o conteúdo que mostrava os Obamas como macacos – exibia jatos militares despejando dejetos sobre manifestantes. No ano anterior, Trump já havia divulgado um vídeo de IA mostrando Obama sendo preso no Salão Oval.
gq/ra (AP, Reuters, AFP)
