USS Gerald R. Ford estava no Caribe e atuou na captura de Maduro na Venezuela. Foco agora é o Irã.O presidente Donald Trump decidiu enviar um segundo porta-aviões para o Oriente Médio, em meio a tensões sobre o programa nuclear e de mísseis do Irã. O chefe da Casa Branca afirmou, nesta sexta-feira (13/02), que o deslocamento da unidade vai ocorrer “muito em breve”, confirmando relatos da mídia sugerindo que o USS Gerald R. Ford, atualmente estacionado no Caribe, partiria para a região próxima ao Irã.

O USS Gerald R. Ford, que é o maior porta-aviões do mundo, se juntará a outros navios de guerra e recursos militares que os EUA estacionaram no Oriente Médio. De acordo com o Wall Street Journal, além de embarcações com poderio militar, sistemas de defesa aérea e esquadrões de caças já se encontram na região do Golfo.

A mobilização ocorre poucos dias depois de Trump sugerir que outra rodada de negociações com os iranianos estava próxima. Essas negociações não se concretizaram, pois um dos principais oficiais de segurança de Teerã visitou Omã e Catar nesta semana e trocou mensagens com intermediários dos EUA.

O Irã manifestou vontade de limitar seu programa nuclear, mas rejeita abandoná-lo totalmente. O governo de Teerã excluiu negociações sobre o programa doméstico de mísseis, ao mesmo tempo que busca o fim das sanções mais severas e um impulso econômico por meios diplomáticos.

Na quinta-feira (12/02), Trump advertiu o país persa sobre consequências graves caso não haja um acordo com os EUA. “Será muito traumático para o Irã se não chegarem a um acordo”, afirmou o presidente, na Casa Branca.

Um dia antes, Trump esteve com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e disse que insistiu com ele para que as negociações com o Irã continuassem. Netanyahu tenta instar os EUA a pressionarem Teerã para a reduzir do programa de mísseis e acabar com o apoio a grupos como o Hamas e o Hezbollah como parte de qualquer acordo.

Mudança de foco

O Ford, que fazia parte da força de ataque à Venezuela, irá se juntar a outro porta-aviões, o USS Abraham Lincoln, e aos destróiers lança-mísseis, que se encontram na região há mais de duas semanas. As forças americanas já abateram um drone iraniano que se aproximou do Lincoln no mesmo dia da semana passada em que o Irã tentou impedir um navio com bandeira americana no Estreito de Ormuz.

É uma rápida reviravolta para o Ford, que Trump o enviou do Mar Mediterrâneo para o Caribe em outubro passado, quando o governo montou uma enorme presença militar antes do ataque surpresa que capturou o então presidente venezuelano Nicolás Maduro, em 3 de janeiro.

A movimentação também parece ir na contramão das estratégias de segurança nacional e defesa do governo Trump, que dão ênfase ao Hemisfério Ocidental em detrimento de outras partes do mundo.

Em resposta, o Comando Sul dos EUA afirmou que as forças americanas na América Latina continuarão “combatendo atividades ilícitas e agentes malignos no Hemisfério Ocidental”.

“Embora a postura das forças evolua, a nossa capacidade operacional não muda”, declarou o coronel Emanuel Ortiz, porta-voz do Comando Sul, em comunicado. Segundo ele, as forças americanas continuam “totalmente preparadas para projetar poder, se defender e proteger os interesses dos EUA na região”.

Embora não esteja claro por quanto tempo o navio permanecerá no Oriente Médio, essa decisão indica que a tripulação provavelmente terá uma missão excepcionalmente longa.

fcl (ap, dpa)