“Aguentem firme, não será fácil, mas o resultado será histórico”, diz Trump, um dia após bolsas do mundo despencarem. Índices americanos tiveram maior queda desde a pandemia de covid-19, em 2020.O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse neste sábado (05/04) que a guerra comercial que seu governo iniciou com o resto do mundo “não será fácil”, mas também manifestou sua convicção de que seu país sairá vitorioso, apesar da turbulência gerada pelas medidas, que provocaram fortes perdas em bolsas mundo afora. Somente nos EUA, as bolsas de valores sofreram sua maior queda desde a explosão da pandemia da covid-19, em 2020.

“Isto é uma revolução econômica, e nós venceremos. Aguentem firme, não será fácil, mas o resultado será histórico. Faremos os EUA serem grandes novamente”, declarou o presidente em uma mensagem em sua plataforma de mídia social, a Truth Social, no mesmo dia em que as o “tarifaço” anunciado por Trump na quarta-feira entrou em vigor.

O líder republicano afirmou que seu plano permitirá que os Estados Unidos “recuperem empregos e empresas como nunca antes”.

Trump comentou ainda que a China, que respondeu à guerra comercial com tarifas de 34% sobre produtos dos Estados Unidos, “foi atingida com muito mais força”.

O presidente americano fez esta postagem na Flórida, onde planeja passar o sábado jogando golfe pelo terceiro dia consecutivo desde que declarou guerra comercial ao resto do mundo na quarta-feira, causando quedas no mercado de ações não vistas desde o início da pandemia de covid-19 em 2020.

O republicano impôs uma tarifa global básica de 10% a aliados e rivais, com taxas adicionais em alguns casos, como a China ou a União Europeia (UE).

O governo americano alertou seus parceiros comerciais para não responderem às tarifas, para não correrem o risco de sofrer taxas adicionais sobre suas exportações. A China, no entanto, já respondeu com tarifas contra produtos americanos, turbinando a queda nos mercados que já vinha ocorrendo após os EUA anunciarem taxas na quarta-feira.

“A China se equivocou, entrou em pânico. A única coisa que não podiam se permitir fazer”, escreveu Trump em letras maiúsculas em sua rede Truth Social ante de ir ao seu clube de golfe na Flórida.

Pequim anunciou nesta sexta-feira que vai impor tarifas aduaneiras adicionais de 34% aos produtos americanos a partir de 10 de abril.

Também anunciou controles de exportação de terras raras, incluindo o gadolínio, utilizado para a ressonância magnética, e o ítrio, usado na eletrônica.

Muitas tarifas são cumulativas. Antes de quarta-feira, Trump já havia imposto taxas de 25% sobre o aço e o alumínio e na quinta entraram em vigor outras de 25% sobre automóveis e seus componentes importados para os Estados Unidos. Com exceções para o México e Canadá por serem parceiros do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (T-MEC).

Queda recorde nas bolsas

Nos EUA, Wall Street viu seus principais indíces caírem mais de 5%. Um dos principais termômetros da economia americana, o S&P 500, que representa o valor de mercado das 500 maiores empresas de capital aberto do país, despencou 6%.

Já o índice da bolsa de valores Nasdaq, onde estão listadas as principais empresas de tecnologia americanas, teve queda de 5,8% no fechamento do pregão. A diferença para a sua última alta é de mais de 20%.

Na prática o S&P 500 sofreu uma perda no mercado de cerca de 2 trilhões de dólares (R$ 11,4 trilhões), enquanto o setor de tecnologia da Nasdaq reduziu quase 1 trilhão de dólares (R$ 5,7 trilhões) em capitalização de mercado.

O mesmo se deu nos fechamentos na Europa (Paris caiu 4,3%, e Frankfurt e Londres, 5%) e na Ásia (em Tóquio, o índice Nikkei perdeu 2,75%, e o Topix, 3,37%). As bolsas chinesas não abriram, devido a um feriado.

Os preços do petróleo continuam em queda livre, de mais de 7%. O cobre vai pelo mesmo caminho.

Mas Trump se manteve inabalável diante dos efeitos de sua ofensiva comercial. “Para os muitos investidores que vêm aos Estados Unidos e investem enormes quantias, minhas políticas nunca mudarão. Esse é um grande momento para enriquecer. Ficar mais rico do que nunca!!!”, publicou em letras maiúsculas, na Truth Social.

“Apenas os fracos vão fracassar!”, escreveu Trump em outra publicação. Em mensagem posterior, afirmou: “As grandes empresas não estão preocupadas com as tarifas, porque sabem que estão aqui para ficar.”

“Emergência nacional”

Trump impôs as tarifas usando a autoridade adicional que tem como presidente para declarar uma “emergência nacional”, argumentando que a atual situação comercial representa um risco à segurança dos Estados Unidos.

O presidente prometeu que as tarifas levarão de volta aos EUA empregos que foram transferidos para países com mão de obra mais barata nas últimas décadas. Porém, nas últimas semanas, também reconheceu que pode haver um doloroso período de “transição” para as famílias americanas.

A última vez que as tarifas dos EUA foram tão altas foi depois que o presidente Herbert Hoover (1929–1933) assinou a controversa Lei de Tarifas Smoot-Hawley em 1930, que aumentou as taxas sobre muitos produtos importados para quase 40%.

Acredita-se que essa medida tenha agravado a Grande Depressão, também conhecida como Crise de 1929, que durou até os anos que antecederam a Segunda Guerra Mundial.

jps (EFE, AFP)