07/01/2026 - 7:39
Presidente dos EUA diz que petróleo será vendido a preços de mercado. Volume anunciado representa quase dois meses da produção venezuelana nos níveis atuais.O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump , declarou nesta terça-feira (06/01) que o governo interino da Venezuela entregará entre 30 milhões e 50 milhões de barris de “petróleo sancionado” aos Estados Unidos.
Numa postagem em sua plataforma de rede social, Trump disse que o petróleo seria vendido a preços de mercado e que os rendimentos seriam controlados por ele, como presidente, para garantir que fossem usados “em benefício do povo da Venezuela e dos Estados Unidos”.
“Pedi ao secretário de Energia, Chris Wright, que execute esse plano imediatamente. O petróleo será transportado por navios de armazenamento e levado diretamente para docas de descarga nos Estados Unidos”, acrescentou.
Detentora de cerca de um quinto das reservas mundiais de petróleo, a Venezuela conta com uma infraestrutura petrolífera precária, após anos de má gestão, corrupção, sanções e falta de investimentos. A produção do país foi estimada em 820 mil barris por dia em novembro.
Se o volume anunciado por Trump for confirmado, ele representaria de 30 a 50 dias da produção venezuelana antes do bloqueio parcial imposto ao país. Não ficou claro o período de tempo em que a quantidade de petróleo bruto mencionada por Trump seria disponibilizada pela Venezuela.
Com o petróleo sendo negociado a cerca de 56 dólares o barril, a transação pode valer até 2,8 bilhões de dólares por dia (cerca de R$ 15 bilhões).
Os EUA consomem em média aproximadamente 20 milhões de barris por dia de petróleo e produtos relacionados, então a transferência da Venezuela seria equivalente a dois dias e meio de abastecimento, de acordo com dados da Administração de Informação Energética dos EUA.
Desafios logísticos, econômicos e políticos
Trump tem destacado o potencial econômico da indústria petrolífera do país , dizendo que as principais empresas americanas do setor dos EUA investiriam bilhões para desenvolver a capacidade produtiva venezuelana.
A Casa Branca está organizando uma reunião nesta sexta-feira com executivos dessas empresas para discutir um plano. Representantes da Exxon, Chevron e ConocoPhillips devem participar da reunião, de acordo com uma pessoa familiarizada com o assunto que pediu anonimato para discutir os planos.
Observadores apontam, contudo, que um rápido aumento da produção esbarra em vários empecilhos, incluindo infraestrutura precária, preços baixos e incerteza política, com uma disputa de poder em curso. Quem quiser perfurar poços na Venezuela precisará de um acordo com o governo, liderado interinamente por Delcy Rodríguez , ex-vice do mandatário capturado Nicolás Maduro.
Há ainda insegurança jurídica e um histórico recente de expropriações – para quem vai investir bilhões, previsibilidade institucional é fundamental.
Analistas de energia da consultoria Wood Mackenzie afirmaram que a produção venezuelana poderia aumentar em até 300 mil barris por dia nos próximos meses. Alcançar 2 milhões de barris diários – nível atingido pela última vez há quase uma década, quando a Venezuela respondia por cerca de 3% da produção global de petróleo – é “outra questão completamente diferente para uma indústria já devastada” pelas sanções dos EUA, segundo os analistas, de acordo com o jornal The New York Times.
Atualmente, a maior parte das exportações de petróleo da Venezuela é enviada para a China , por meio de intermediários.
sf/as (AP, DPA, OTS)