29/01/2026 - 16:57
Presidente mexicana classificou descoberta do sítio de 1.400 anos como “a mais importante desta década”. Achado é “excepcional” devido ao seu alto nível de conservação.O México anunciou ter encontrado uma tumba do povo zapoteca, datada de 600 d.C., que foi classificada pela presidente do país, Claudia Sheinbaum, como a descoberta arqueológica “mais importante desta década”.
O sítio está localizado no Cerro de la Cantera, na região de Oaxaca, no sul mexicano. De acordo com a Secretaria de Cultura do país, o achado é “excepcional” devido ao seu alto nível de conservação e por fornecer informações de alto valor sobre a organização social, os rituais funerários e a cosmovisão da civilização zapoteca.
A pasta destacou a presença de elementos esculturais e pinturas murais, com representações simbólicas associadas ao poder e à morte, além de frisos e lápides com inscrições do calendário zapoteca, o que “a coloca entre as descobertas mais significativas do patrimônio arqueológico nacional”.
Os zapotecas são um dos povos mais antigos do México. Sua civilização se desenvolveu há mais de 2,5 mil anos, na região que hoje corresponde ao estado de Oaxaca.
Coruja gigante
A tumba possui, logo na entrada da antecâmara, a figura de uma coruja gigante esculpida em pedra. Para a civilização zapoteca, a ave era um símbolo ligado à noite e à morte, o que reforça o caráter funerário do local.
O bico da coruja cobre o rosto de uma figura humana estucada e pintada. A entrada da câmara funerária é formada por uma porta de pedra decorada com indicações do calendário zapoteca. Nas laterais da porta, foram esculpidas as figuras de um homem e de uma mulher, ambos usando cocares e segurando objetos rituais.
No local, os pesquisadores também encontraram pinturas murais preservadas, com cores como ocre, branco, verde, vermelho e azul. As imagens mostram uma procissão de personagens caminhando em direção à entrada da tumba e carregando sacos de copal, uma resina usada em rituais religiosos.
Conservação
Segundo a Secretaria de Cultura, uma equipe interdisciplinar do Centro INAH Oaxaca realiza trabalhos de conservação, proteção e pesquisa, incluindo a estabilização da pintura mural, cujo estado é delicado devido à presença de raízes e insetos e a mudanças severas nas condições ambientais.
Paralelamente, vêm sendo realizadas análises cerâmicas, iconográficas e epigráficas, além de estudos de antropologia física, para analisar os rituais, símbolos e práticas funerárias associadas.
“Por sua qualidade construtiva e riqueza decorativa, a descoberta se compara a outros conjuntos funerários zapotecas de grande relevância na região, o que confirma sua importância para compreender a complexidade social, artística e simbólica dessa civilização”, informou o órgão do governo mexicano.
fcl/ra (EFE, dpa, ots)
