Em meio a frio de quase -20 °C, ataques massivos contra infraestrutura obrigam governo a decretar corte de energia emergencial em todo o país. Zelenski diz que conversas com Moscou podem ser retomadas nos EUA.Segundo fontes ucranianas, a Rússia vem lançando um ataque massivo contra a infraestrutura energética do país desde a noite desta sexta-feira. Os alvos são instalações de geração e distribuição de energia, anunciou o ministro da Energia da Ucrânia, Denys Shmyhal, no aplicativo de mensagens Telegram. “O ataque está em andamento”, acrescentou.

O governo decretou cortes de energia emergenciais em todo o país. Os trabalhos de reparo devem começar assim que a situação de segurança permitir.

Mais de 400 drones e cerca de 40 mísseis de vários tipos foram usados ​​no ataque da noite passada, escreveu o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, na plataforma X. “Os principais alvos foram a rede elétrica, usinas e subestações.”

“Como resultado dos danos causados ​​pelo inimigo, cortes de energia emergenciais foram implementados na maioria das regiões”, afirmou a estatal de energia ucraniana Ukrenergo, em uma mensagem publicada em sua página no Facebook.

“Os cortes de energia emergenciais serão suspensos assim que a situação no sistema energético se estabilizar”, acrescentou a empresa, descrevendo o ataque russo como “massivo”.

Estações e linhas de distribuição foram alvejadas

Anteriormente, o ministro da Energia ucraniano, Denis Shmyhal, condenou o ataque e indicou que “os trabalhadores estão prontos para iniciar os reparos assim que a situação permitir”.

De acordo com Shmyhal, o ataque russo teve como alvo duas subestações e linhas de transmissão que são “a espinha dorsal da rede elétrica da Ucrânia”, assim como duas usinas de geração de energia, uma em Dobrotvir e a outra em Burshtin, ambas no oeste da Ucrânia.

Zelenski reconheceu “danos” em várias regiões da Ucrânia, incluindo Volônia, no noroeste, na fronteira com a Polônia; Ivano-Frankivsk, também no oeste e na fronteira com a Romênia; Lviv, que também faz fronteira com a Polônia; e Rivne, na fronteira com Belarus.

Apesar das recentes negociações para pôr fim à guerra de agressão da Rússia na Ucrânia, as forças russas têm lançado há meses ataques massivos contra a infraestrutura energética ucraniana. Em meio a uma onda de frio invernal, isso levou a extensos cortes de energia. Centenas de milhares de pessoas estão sem eletricidade e aquecimento em temperaturas próximas a -20 graus Celsius.

“EUA querem fim da guerra até junho”

De acordo com Zelenski, os Estados Unidos querem que a guerra entre a Ucrânia e a Rússia termine até junho e propuseram sediar negociações entre os dois lados na próxima semana.

O governo do presidente dos EUA, Donald Trump, tem pressionado Moscou e Kiev para que encerrem o conflito de quase quatro anos, tendo recentemente mediado negociações entre os dois lados em Abu Dhabi. Mas, até agora, não conseguiu chegar a um acordo sobre a espinhosa questão territorial.

A Rússia, que ocupa cerca de 20% da Ucrânia, pressiona pelo controle total da região de Donetsk, no leste do país, como parte de um acordo. Mas a Ucrânia afirma que não assinará um acordo que não impeça a Rússia de invadir novamente.

Washington “propôs pela primeira vez que as duas equipes de negociação, da Ucrânia e da Rússia, se encontrem nos Estados Unidos, talvez em Miami, dentro de uma semana”, disse Zelenski. Ele acrescentou que Washington quer que a guerra termine “no início do verão [no Hemisfério Norte], em junho”.

“Sem acordos pelas costas de Kiev”

Zelensky expressou repetidamente sua frustração com o fato de seu país estar sendo solicitado a fazer concessões desproporcionais em comparação com a Rússia. Em suas declarações publicadas neste sábado, o líder ucraniano disse que não tolerará que Washington e Moscou façam acordos pelas costas de Kiev, especialmente se estiverem relacionados à soberania da Ucrânia.

Zelensky afirmou que os dois lados também não conseguiram chegar a um “entendimento comum” sobre a questão do controle da instalação nuclear de Zaporíjia, ocupada por Moscou desde 2022.

md (AFP, EFE)