06/03/2026 - 13:11
A vacina contra a dengue do Instituo Butantan teve eficácia registrada de 80,5% contra casos graves da doença. Os resultados clínicos foram publicados na quarta-feira, 4, na revista Nature Medicine.
+ Análise de DNA revela impacto de pandemia de peste bubônica no Mediterrâneo
+ Origem da vida: cientistas resolvem mistério sobre o surgimento de células complexas
A Butantan-DV, desenvolvida em parceria com a FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e financiada pelo Ministério da Saúde e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), foi aprovada em 26 de novembro de 2025 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O público autorizado a utilizar o imunizante é composto por brasileiros de 12 a 59 anos. Ao todo, 1,3 milhão de doses foram enviadas pelo instituto ao Programa Nacional de Imunizações (PNI), responsável pela distribuição ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Em janeiro deste ano, o Ministério da Saúde deu início à vacinação. As cidades de Nova Lima (MG), Maranguape (CE) e Botucatu (SP) foram as primeiras a receber o imunizante. As vacinas foram distribuídas por meio de um projeto-piloto que pretende imunizar 90% da população que se enquadra no público-alvo.
Entre fevereiro de 2016 e julho de 2019, 16.235 participantes com idades entre 2 e 59 anos foram recrutados para a realização da pesquisa. Dentre eles, 10.259 tomaram a dose única da vacina e 5.976 receberam placebo. Quem foi devidamente vacinado não precisou de internação, diferentemente das oito pessoas que não receberam a vacina. Durante os cinco anos de pesquisa, a dengue sintomática apresentou eficácia geral de prevenção de 65%.
Como a vacina é formulada
Para a fabricação do imunizante, é utilizado o próprio vírus vivo, porém enfraquecido em laboratório. Essas cepas são baseadas em uma tecnologia desenvolvida pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH).
Nos sorotipos DENV-1, DENV-3 e DENV-4, a vacina utiliza genomas quase completos dos respectivos vírus. Já no DENV-2, a proteção é promovida pelo uso de um vírus quimérico, que consiste nas proteínas de superfície do DENV-2 montadas sobre a estrutura atenuada do DENV-4.
Após a aplicação, a vacina provoca uma viremia vacinal, ou seja, a replicação controlada desses vírus enfraquecidos no próprio organismo. Esse processo faz com que o sistema imunológico produza anticorpos neutralizantes específicos para cada um dos sorotipos. Criar uma imunidade específica para cada um deles, permitindo que o organismo neutralize variantes, é o principal objetivo da imunização.
“Esta vacina se consolida como uma ferramenta de grande importância no combate à dengue no Brasil, com potencial para contribuir para a diminuição da circulação do vírus, para além da proteção individual”, disse a médica e diretora de Ensaios Clínicos do instituto, Fernanda Boulos, ao Butantan.
* Com informações da Agência Fapesp
