Mudança de hábitos do consumidor provoca queda de 6% no comércio da bebida e leva o consumo ao menor nível desde o início da série histórica, em 1993.As vendas de cerveja na Alemanha atingiram um recorde negativo ao despencarem 6% em 2025, de acordo com dados oficiais divulgados nesta segunda-feira (02/02). A queda no comércio é puxada pela redução no consumo, em um cenário em que cada vez mais alemães migram para bebidas sem álcool.

Segundo o Departamento Federal de Estatísticas (Destatis), as cervejarias alemãs venderam cerca de 7,8 bilhões de litros de cerveja com álcool no ano passado, o menor número desde o início da série histórica, em 1993. Também foi a primeira vez que o volume das vendas ficou abaixo de 8 bilhões de litros.

Os números não incluem as variantes sem álcool, que se tornaram cada vez mais populares no país – conhecido por sua paixão por cerveja – à medida que os jovens, em particular, dão mais ênfase a estilos de vida mais saudáveis.

As vendas de cerveja na Alemanha estão em declínio há anos. O nível de 2025 é signficativamente mais baixo, por exemplo, do que os volumes registrados durante a pandemia de covid-19 entre 2020 e 2021, quando o acesso a restaurantes e bares foi restringido para conter a disseminação do coronavírus.

A Federação Alemã de Cervejeiros (DBB) também observou um cenário desfavorável para os consumidores. “Assim como varejistas e restaurantes, as cervejarias sentem os efeitos massivos da relutância dos consumidores”, disse Holger Eichele, diretor da entidade.

A situação no setor de gastronomia continua preocupante, com muitas empresas ainda lutando para se recuperar da pandemia, acrescentou Eichele.

Diversificação do setor gastronômico

Segundo a Federação, “o significativo poder de mercado dos varejistas” continua a representar um problema para as cervejarias. A entidade pediu “esforços políticos mais decisivos, principalmente em relação à política energética e à redução da burocracia”.

Volker Kuhl, porta-voz da tradicional cervejaria alemã Veltins, explicou que a queda “não pegou as cervejarias desprevenidas, mas as atingiu em uma escala inesperada”. As oportunidades de mercado só se abrem para aqueles que investem “milhões em novos produtos e transformação energética”, disse. No entanto, isso não é possível para todos.

Kuhl, porém, demonstrou otimismo, ao explicar que quando estabelecimentos tradicionais são obrigados a fechar, criam-se “espaços para novos conceitos gastronômicos”. Ele acredita que, na próxima década, o setor de restaurantes se tornará “mais diversificado, mais experimental, mais aberto”.

Cerca de 82,5% da cerveja fabricada na Alemanha foi vendida no mercado interno, uma queda de 5,8% no volume em comparação com o ano anterior.

Outros 17,5% foram vendidos no exterior ou destinados a funcionários de cervejarias – e, portanto, não sujeitos ao imposto sobre vendas no mercado interno.

rc (DPA, AFP)